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Cultura » Cantor da banda Slipknot fala sobre suas visões e o metal sobrenatural

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20 Outubro 2013 | 08h00

Jotabê Medeiros – O Estado de S. Paulo

O visual do grupo Slipknot sempre sugeriu um portal para o purgatório, mas a relação deles com o Além vai bem mais longe do que se pensava. Corey Taylor, cantor e líder da banda, principal atração da primeira noite do festival Monsters of Rock, no sábado, às 21h40, é um cara escolado nas vivências paranormais.“Para mim, a alma é a chave do que somos e ela continua além da nossa vida. É energia e define o que somos e o que escolhemos ser. Muitas vezes, a alma encontra outro hospedeiro”, disse Taylor, falando ao Estado por telefone, na semana passada. Ele acaba de publicar o livro A Funny Thing Happened on the Way to Heaven (Uma coisa engraçada aconteceu no caminho do Paraíso), no qual narra suas experiências com fantasmas e seres do mundo supernatural.

No seu livro, Corey Taylor conta como viu o primeiro fantasma quando tinha 9 anos e diz que espectros de crianças habitam a atual casa onde vive. Também sobrou para o Slipknot: a banda inteira já foi aterrorizada por uma revoada de fantasmas durante uma sessão de gravação de um disco, em Laurel Canyon, Los Angeles, segundo o relato do cantor.

“Eu não acredito em Céu e inferno, mas na alma que permanece. Não acredito em punição, mas acredito em karma: uma pessoa muito má cedo ou tarde terá a retribuição daquilo que faz em vida. Pessoas ruins atraem as coisas ruins de volta para si mesmas. Já vi a repercussão de algo que aconteceu a uma pessoa muito ruim, que passou a vida fazendo malvadezas”, disse Taylor, que também é vocalista do grupo Stone Sour.

“Os cínicos vão dizer que minhas contagens testemunhais podem facilmente ser descritas como ‘voos fantasiosos’ ou ‘armadilhas de uma mente hiperativa’. O que eu odeio mais do que todos os outros é: ‘Você viu apenas aquilo que queria ver e nada mais que isso’”, escreveu.

Uma das bandas mais pesadas e insanas do heavy metal, o Slipknot volta ao Brasil dois anos após sua passagem pelo Rock in Rio, em uma jornada de labaredas e mergulhos no meio da plateia. Sua primeira apresentação no País foi em 2005, no Anhembi, no festival Chimera. Não era a primeira banda de mascarados do metal, mas era uma das mais feias (o grupo Ghost B.C., que veio ao Rock in Rio, parece que segue seus passos dramatúrgicos).

O disco mais recente da banda, All Hope is Gone (2008), já tem 5 anos, No ano passado, lançaram a coletânea Antennas to Hell. E um dos integrantes do grupo, Joey Jordison, acaba de lançar um disco solo. Duplo. Mas, agora, Corey Taylor acha que já é chegado o momento de lançar material novo da banda-mãe.

“Há dois anos, não estávamos muito preocupados com um disco novo, porque as músicas ainda soavam tão frescas e potentes. Mas, agora, é chegada a hora, sabemos que temos de fazer. Estamos fazendo sem pressa, de forma natural. Já temos quatro músicas novas, e elas mostram uma direção muito sombria e muito pesada. Também há um senso de melodia que flui da música. Eu definiria com uma combinação de dois álbuns nossos, Iowa (2001) e Volume 3: The Subliminal Verses (2004). É denso, mas as belas melodias estarão lá, como um próximo capítulo”, afirmou.

A vida do Slipknot não é mole. Sua agressividade cênica cria problemas. Em junho de 2005, durante sua turnê pela Europa, foram acusados pela Igreja Ortodoxa de Atenas, na Grécia, de “promover o demônio e o satanismo”. Na época, o compositor e percussionista Chris Fehn, um dos nove músicos sem rosto do Slipknot (os outros são Clown, Corey, James, Joey, Mick, Paul, Sid e 133), declarou: “O nosso show é apenas uma grande diversão, e nunca ninguém se machucou. Nós promovemos a música, não um culto ao ocultismo”.

Corey Taylor fala pausadamente, com clareza, e escreve com bastante jeito para se tornar best-seller. Está em seu segundo livro (o primeiro foi Seven Deadly Sins, sete pecados capitais, sempre na seara do sobrenatural). Ele se diz influenciado pelos beatniks, especialmente os três grantes – William Burroughs, Allen Ginsberg e Jack Kerouac.

Ele conta que se lembra de ter visto imagens de Kerouac lendo On the Road no programa de TV de Steve Allen, e acha que o ritmo, a batida, a cadência daquilo são coisas que podem tê-lo influenciado como autor. Mas, como frontman, cadência é zero: ele é um selvagem.

“Qualquer chance para tocar aí no Brasil e a gente aceita. Nós adoramos, é um lugar em que os fãs são mais apaixonados, participativos. É um local para onde irei enquanto estiver em uma banda”, disse ele.

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