Amy Lee colorindo nas sombras

Estadão

06 Outubro 2012 | 06h57

Jotabê Medeiros

Amy Lynn Hartzler, a cantora e pianista Amy Lee, tornou-se muito cedo um ícone do rock gótico, com seus cabelos muito negros, a maquiagem carregada, as canções melodramáticas, o olhar sombrio. De uns tempos para cá, foi mudando um pouco essa imagem, pintando uns óleos coloridaços, tirando férias para namorar, diversificando o guarda-roupas.

A banda de Amy, o Evanescence, formada em 1995, é vencedora de dois prêmios Grammy e tem 25 milhões de CDs vendidos na carreira – o último foi Evanescence, de 2011.

No ano passado, ela tocou no Rock in Rio com sua banda Evanescence. Agora, ela volta com um astral ainda mais celebratório. Quer ter filhos também. “Quero constituir uma grande família, é um dos meus sonhos. Mas não é para agora, ainda não estou pronta”, diz.

Amy Lee, vocalista do Evanescense (FOTO: EVELSON DE FREITAS/AE)

Você é muito caçada pelos fãs, que acampam meses antes na porta dos estádios para ver seus shows, querem te tocar, puxam cabelo. Como aguenta isso?

Desde o começo de minha carreira, os fãs se tornaram parte da minha vida. Eles me ajudam com minhas escolhas. Nesses anos todos, conheci tanta gente, tive tantas experiências boas. Grande parte da minha inspiração vem daí, então porque eu deveria reclamar?

E há um feedback? Quero dizer: eles se reconhecem no seu trabalho?

Muito. Nesse último disco, particularmente, eu senti que era como se entendesse o jeito como meus fãs amam música. Eles não rejeitam a experimentação, sempre apoiam, são abertos. O que eu faço é arte, e ninguém faz arte para não dividir a apreciação disso com alguém. As pessoas se importam, e é por isso que sou sempre receptiva.

Os Rolling Stones estão comemorando 50 anos de rock. Você agora vai fazer 31 anos, está casada, já tem uma longa carreira musical. Imagina-se também ficando velhinha na cena do rock?

O que tenho a dizer é que não consigo imaginar a vida sem a música. Espero que sim, que fique até o fim no palco. Até 15 anos atrás, eu não tinha a menor ideia de que estaria aqui hoje. É assim que vivo: sempre buscando inspiração para a próxima música, para o próximo show. Só sei que amo a música, não me imagino aposentada.

Há alguns anos, você teve de demitir seu guitarrista e seu baterista, e eles responderam duramente. Como analisa aquele episódio hoje?

Foi duro. Não é que eu me arrependa do que fiz, mas acho que já fui um pouco mais dura no passado. Não foi inútil, aprendi com isso. Estou sempre aprendendo, quero fazer as coisas melhor, quero ser justa. Isso é um processo, acho que estou mais madura agora. O importante é que eu gosto do que faço, e quero ser sempre abençoada de poder fazer isso por meio da arte. Sou grata por tudo.

Já estão trabalhando num novo disco?

Não, nem pensar. Estou em casa pela primeira vez em meses, após a turnê do disco do ano passado. Tenho umas ideias, mas estou apenas pesquisando.

EVANESCENCE
Espaço das Américas.
Rua Tagipuru, 795, 3829-4899. Amanhã, 20 h. R$ 90/ R$ 340.

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