A voz do Queen causa espanto no mundo da ópera

Estadão

14 Outubro 2012 | 22h00

Marcelo Moreira

O cantor Freddie Mercury sempre disse que não tinha limites em sua vida, especialmente artísticos. Quando lançou o pouco inspirado “Mr. Nice Bad Guy”, em 1985, o seu primeiro álbum solo, ficou irado com as críticas negativas, entre elas a de que abusava da autoindulgência e de fugir do estilo grandioso de sua banda apelando para a música pop comum e seu brilho.

A resposta veio dois anos depois, seguindo o conselho do amigo David Bowie: surpreenda com algo diferente. A música “Barcelona”, compacto que vendeu muito em 1987, tinha toda a megalomania que caracterizava Mercury, mas com um verniz erudito. A associação com a soprano espanhola Montserrat Caballé foi um sucesso ao unir rock e ópera de forma inusitada.

Vinte e cinco anos depois, o álbum “Barcelona”, ganha uma reedição comemorativa bem simplesinha, com apenas uma faixa bônus. Ainda causa certa estranheza ouvir a potente voz de Mercury e as firulas de Caballé – aparentemente há uma incompatibilidade de estilos. Uma segunda audição ameniza o impacto e mostra coisas interessantes como “The Golden Boy”, “The Fallen Priest” e “Overture Piccante”.