A locomotiva Lynyrd Skynyrd lança novo álbum

Estadão

28 Outubro 2012 | 12h00

Julio Maria

Lynyrd Skynyrd é um nome a ser celebrado não por fanatismo, mas por gratidão. Sua existência de 40 anos é a vitória definitiva do próprio rock and roll diante das maiores tragédias que um grupo de amigos pode sofrer.

Irmã dos Allman Brothers na invenção da fórmula southern rock, derivada mais do country do que do blues, e criadora de um dos hinos mais fortes do gênero – um riff de guitarra feito sobre uma única sequência de três acordes chamado Sweet Home Alabama –, o Lynyrd vence mais uma parada.

Quase que totalmente dizimada em um acidente aéreo quando estava no auge, em 1977, do qual só o baterista sobreviveu, o grupo se refez com novos integrantes e seguiu pela mesma estrada pavimentada pelos brothers originais em uma bem sucedida passagem de bastão. Pela própria história, não haveria muito o que mudar, mas eles mudaram.

Os riffs de Rick Medlock não estão tão presentes, chegam mais diluídos em distorções e bases feitas com violões e guitarras duplicadas. O órgão dá um passo à frente nos arranjos e a leveza do southern ganha alguns quilos na balança e vira hard rock.

Mais pesado, mais raivoso, o Lynyrd mantém no entanto alguns dos mandamentos que escreveu nos anos 70: rock and roll não é música para solos intermináveis; a voz de Johnny Van Zant deve vibrar nos agudos sem cair nos barroquismos do heavy metal; e, se uma canção for boa, dane-se a segunda parte. Ela pode seguir até o fim exatamente como começou. O melhor southern, Last of a Dyin’ Breed, abre. E Start Livin’ Life Again, um blues memorável, fecha.

 

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