A falta de ousadia é o novo alvo de Lobão

Estadão

17 Outubro 2012 | 23h11

Marcelo Moreira

Arte sem ousadia não só perde credibilidade como é estéril e não leva a lugar algum. O cantor Lobão continua ferino e certeiro ao analisar a obra atual de vários artistas e não perde a chance de detonar o que chama de pasmaceira que domina a música em 2012.

“Ficar comemorando 30 anos de qualquer coisa é o cúmulo da falta de ousadia, de criatividade. Repisar o passado o tempo todo é um atestado de falência artística”, diz a respeito de gente como Titãs, Kid Abelha e Barão Vermelho, por exemplo, que estão fazendo turnês e lançando DVDs comemorativos dos 30 anos de carreira.

O cantor passou a quarta-feira, 10 de outubro, em visita ao Grupo Estado, e não perdoou os alvos de sempre: os “bunda-moles” Caetano Veloso e Gilberto Gil, a Tropicália e a MPB caduca dos anos 60 e 70, que considera sem qualidade, a política cultural do governo federal equivocada e sem norte, com um Ministério da Cultura atrelado a interesses de grupos artísticos que formam uma “elite”.

Lobão está mais sereno, mas não menos cáustico. Sempre que pode resgata as suas polêmicas de sempre, mas cada vez mais articulado e veemente. Também não falta empolgação ao falar do novo trabalho. “É o primeiro registro de áudio que eu aprovo, é o primeiro que eu assino uma produção minha”, diz Lobão sobre o CD e DVD “Lobão Elétrico Lino, Sexy & Brutal”, gravado ao vivo em São Paulo.

A mesma empolgação ele demonstra ao falar do novo livro ainda em produção, “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, mas se recusa a dar maiores detalhes. “Estou compondo novas músicas e escrevendo algumas ideias para esse livro, são reflexões a respeito de minha carreira e de algumas bandeiras que defendo.”

Os vídeos abaixo deixam claro que, mesmo a base de caneladas e cotoveladas, Lobão é um ponto de vida inteligente na música nacional e referência nos debates culturais de uma época tão empobrecida e anódina em termos artísticos.