Mais perto da mãe

Estadão

25 Fevereiro 2011 | 21h06

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Na primeira cena não há fogo – e nem um letreiro que anuncie o nome de Incêndios, este longa canadense indicado ao Oscar de filme estrangeiro. Vê-se apenas uma paisagem, árida, que aos poucos se revela ser a vista da janela de um recinto onde as cabeças de vários garotos estão sendo raspadas. A câmera acompanha o desenho das nucas, rostos e calcanhares, ao som de You and Whose Army?, canção do Radiohead. Mas o que está acontecendo ali? Para entender, é preciso seguir a jornada de Os Gêmeos (esse, sim, o primeiro letreiro). Os jovens Jeanne e Simon vivem no Québec e acabam de perder a mãe, que deixou um testamento singular. As revelações do documento pedem uma viagem ao Oriente Médio, o lugar de origem dessa mulher que sempre foi misteriosa para eles. Vemos o deslocamento de Jeanne pelo passado da mãe (interpretada com pulso por Lubna Azabal): que segredos guardava a vida que deu origem à sua? A história, baseada em uma peça do escritor de origem libanesa Wajdi Mouawad, é surpreendentemente complexa e contada com delicadeza. E, assim como a canção do início, pode permanecer, por semanas, na lembrança do espectador.