Homens divinos

Estadão

15 Abril 2011 | 19h33

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Na porção argeliana da cordilheira do Atlas, no norte da África, uma rarefeita paisagem abriga o mosteiro onde oito religiosos franceses assistem uma comunidade carente, fornecendo de apoio médico a sapatos e conselhos amorosos. O retrato do dia a dia idílico dá início a Homens e Deuses, de Xavier Beauvois.

Ainda que se admire a harmonia entre os monges cristãos e o vilarejo muçulmano, o que os une são valores universais – caridade, tolerância. O que faz deste um filme não sobre religião, mas sobre fé.

Ataques em locais próximos ameaçam o vilarejo. As autoridades intervêm – preferem que os monges voltem para a França antes que virem moeda de troca nas mãos dos fundamentalistas islâmicos – e, é claro, a tragédia seja computada na conta dos governantes.


Fiéis ao propósito a que dedicam suas vidas, os monges decidem ficar, a despeito do destino que se apresenta. Tanto quanto respeitam Deus, celebram o homem. E esta concepção humanista fundamenta uma das poderosas cenas finais, em que os monges, em sua possível última ceia, jantam ao som de Tchaikovsky, e ao sabor de um bom vinho. Uma homenagem, afinal, a dois grandes feitos da humanidade. Carolina Arantes