Uma estreia incubada

Uma estreia incubada

Leandro Nunes

20 Janeiro 2016 | 10h00

Nada como começar do começo.

Na última quinta-feira, 14, o Caderno 2 publicou na capa uma matéria (leia aqui) assinada por mim que trazia o espetáculo Fim de Jogo, de Beckett, montado por Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas na casa dos atores.

No dia seguinte, recebi um email de Marco Antonio Rocha, editorialista aqui do Estadão, que me contou uma história dos primórdios do Teatro Oficina. Com o relato veio uma fotografia (clique nela para aumentar) tirada durante a montagem do espetáculo A Incubadeira, de Zé Celso e que estreou em 1959 (ele está na fila do meio, quarto da esquerda para a direita).

Marco Antonio (na primeira fila, segundo da direita para a esquerda) me disse que a turma havia acabado de chegar de Santos, após participar de um concurso e que procuravam um espaço para estrear. O local foi o Teatro de Arena.

Oficina Fundação

Esse espetáculo foi a primeira montagem de relevância do grupo que na ocasião reuniu figuras como a atriz Etty Fraser (bem ao centro, rindo), o diretor Amir Haddad (na ponta da fila de baixo, da esquerda para a direita) e o escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão (ao lado de Etty) que na época trabalhava como repórter do jornal Última Hora.

Dali pra frente, Zé Celso montaria com Augusto Boal a peça A Ingrenagem, de Sartre. E em 1961 A Vida Impressa em Dólar, de Clifford Odetts. O ano marca o início da fase profissional do Oficina no endereço da Rua Jaceguai.

Ah, outra coisa, o escritor Carlos Queiroz Teles (na ponta da fila do meio) estava nesse dia. Foi ele quem escreveu as três peças curtas que o Oficina montava em domicílio para juntar recursos para compra de equipamentos e poltronas para o teatro. Borghi (na fila de cima, quase na ponta esquerda) e Etty também fizeram o famoso Livro de Ouro e a cadeira cativa.

Na fila do meio ainda estão o ator Jairo Arco e Flexa e o Moracy do Val, que mais tarde se tornou produtor da MPB.

Hoje e 1959. Dois bons dias para estrear.

 

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