Os 50 discos preferidos do blog em 2017
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Os 50 discos preferidos do blog em 2017

A lista tem algumas unanimidades como Lorde, Kendrick Lamar e Rincon Sapiência, mas também surpresas

Alexandre Ferraz Bazzan

22 Dezembro 2017 | 17h15

Desde 2015, eu misturo discos nacionais e internacionais na minha lista de fim de ano pelo simples fato de não existir uma chavinha no meu cérebro que eu mudo quando escuto música brasileira ou estrangeira. Este ano não houve grandes unanimidades, com exceção talvez de SZA(que não entrou na minha lista), Kendrick Lamar e Lorde lá fora e Rincon Sapiência aqui no Brasil.

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Se o seu artista preferido não está entre esses 50, muito provavelmente eu não ouvi ou tive que fazer uma escolha editorial para esse top 50 não virar um top 100. No fim das contas, essas listas valem muito mais para descobrir novos discos que a gente ignorou durante o ano do que para dar estrelinhas ou pontos positivos para alguém. Aproveite:

50 – Hallelujah Anyhow – Hiss Golden Messenger

Esse é o 9º disco do Hiss Golden Messenger, que acabou virando um projeto do  MC Taylor. Parece que cada vez mais os artistas precisam de um alter ego para se distanciar de suas próprias personas e você vai ver vários projetos com esse perfil nesta lista. Hallelujah Anyhow é folk rock bom e despretensioso, mas também nada que vá mudar a vida de alguém.

49 – MASSEDUCTION – St. Vincent

Existem dois tipos de artistas: os que encontram o seu som e se mantêm fiéis a ele e os que vão evoluindo ao longo da carreira. A St. Vincent, projeto de Annie Clark, parece ser do segundo tipo. Entretanto, ela atingiu um pico em seu penúltimo disco que se manteve estável em MASSEDUCTION.

48 – Rocket – (Sandy) Alex G

Alexander Giannascoli, ou (Sandy) Alex G, soltou mais uma fornada de boas músicas em que ele controla toda a parte criativa. Esse é o sonho de qualquer artista, a independência total, mas também pode ser um dos seus pontos fracos. Se por um lado ele pode explorar diversos sons, por outro, ele pode explorar diversos sons(risos). Um bom produtor provavelmente cortaria algumas coisas e, nesse caso específico, talvez isso fosse bom.

47 – Futuro do Pretérito – Garotas Suecas

A banda paulista segue a transição após perder guitarrista e vocalista. É uma mudança que já vinha acontecendo até antes de Guilherme Saldanha(o antigo vocalista) deixar o grupo. Em Futuro do Pretérito, o trunfo segue sendo a composição canção a canção, mas como conjunto elas poderiam estar mais amarradas. A voz do baterista Nico Paoliello é outro ponto alto que pode ser mais utilizado no futuro(não o do pretérito). As críticas sociais mais evidentes parecem estar pouco conectadas com o resto do disco, mas a alfinetada com o deslumbre da cena, em especial com a nova onda psicodélica, é deliciosa.

46 – Here Lies Man – Here Lies Man

E se o Black Sabbath tocasse afrobeat? É com essa pergunta que a gravadora Riding Easy define o som do Here Lies Man. A banda e o disco são visões de Marcos García, um filho de cubanos criado em Nova Jersey e que teve/fez parte de dois projetos(Antibalas e Chico Mann) antes de se realocar em Los Angeles. No Here Lies Man, ele tem a ajuda do baterista Geoff Mann, filho do flautista de jazz Herbie Mann.

45 – Dias em Lo-Fi – LuvBugs

Eu conheci o LuvBugs quando eles abriram um show para a Colleen Green em uma portinha tosca bem no centro do Rio chamada “Escritório”. Duas coisas me encantaram na dupla: 1-eles me parecem bem pouco pretensiosos. Em um momento em que todo mundo é lacrador, eles não lacram nada, pelo contrário, deixam tudo em aberto e 2-são um pouquinho de nuvem e sombra(mesmo nas músicas mais ensolaradas como Eu Queria Ver o Sol) em todo o sol e alegria que é a zona sul do Rio. Dias em Lo-Fi é uma bateria marcada muito simples e uma guitarra distorcida e não precisa de mais nada.

44 – Recomeçar – Tim Bernardes

Se o Terno a cada disco faz um rock cada vez mais elaborado, Recomeçar é Tim Bernardes, vocalista e guitarrista da banda, despido de qualquer artifício. São músicas intimistas, que ele compunha sozinho no próprio quarto e também é assim que ele se apresenta ao vivo. Nos shows, ele acrescenta as influências que ele toca no violão quando ninguém está escutando. Tem Belchior e Black Sabbath e ele consegue que isso tenha algum sentido.

43 – Todas as Bandeiras – Maglore

A introdução de Você Me Deixa Legal me lembra um pouco Don’t Be Shy, do Cat Stevens. Se Yusuf Islam se especializou em fazer melodias tristes com letras de autoafirmação, o Maglore faz melodias alegres com letras tristes. Em Toda as Bandeiras, entretanto, a banda expande não só o som, mas também os temas, que, apesar de resvalarem em assuntos políticos, não levantam bandeiras como poderia sugerir o título do álbum.

42 – Rare Feeling – Twain

Eu já estava quase terminando esta lista quando a Big Thief compartilhou no Facebook o lançamento de Rare Feeling. O folk de Mat Davidson, a voz por trás do Twain, vai fazer você sorrir, seja fechado em casa ou em uma caminhada sozinho com fone de ouvido e vento no rosto.

41 – Alagbe – André Sampaio

Imagine chegar em um terreiro e encontrar um guitarrista atacando seu instrumento com ferocidade enquanto é acompanhado pela tradicional percussão. Este é o sentimento no segundo disco solo de André Sampaio. As influências africanas estão por todo lado e é com elas que o carioca pretende derrubar os muros, como aponta na música Stop Fighting Imigrants, com participação da cantora nigeriana Okwei Odili.

40 – Mess – Deb and the Mentals

Mess é o primeiro disco inteiro da banda e segue a “sujeirinha” boa que eles iniciaram com o EP Feel the Mantra. Além do som pesado e da voz forte, é legal acompanhar a parte visual deles(pôsteres e capas), algo anos 1990 e meio nonsense no estilo Beavis and Butthead feitos pelo baterista Giuliano Di Martino.

39 – Year 3000 – Water Rats

Este é o segundo lançamento da banda em 2017. No primeiro semestre eles fizeram um split com a banda chilena Magaly Fields. As cinco primeiras músicas de Year 3000 te atropelam em um punk alucinante, até Rolling Stoners frear um pouco a velocidade para um rock mais clássico, mas ainda muito pesado.

38 – 50 Song Memoir – The Magnetc Fields

Sim, o Stephin Merritt fez um disco com 50 músicas. Um álbum quíntuplo, se você preferir. São canções autobiográficas sobre cada ano de vida do compositor. Um projeto maluco que merece algum tipo de reconhecimento.

37 – Everybody Works – Jay Som

Lo-fi, dream pop dê o nome que quiser para o som da cantora e compositora Melina Duterte. Ela descreve o próprio som ou o Jay Som como “música para headphones” e só por esse motivo eu já amo ela. Everybody Works foi lançado pela gravadora independente Polyvinyl, que é a casa de outros artistas que eu adoro, como Beach Slang e Japandroids.

36 – Fogos de Artifício – Motormama

Imagine que o Arcade Fire fosse formado em uma cidade em que ninguém gosta de rock. Régis Martins e Gisele Zordão são o equivalente de Win e Regine, só que em Ribeirão Preto. Fogos de Artifício tem canções que vão da singeleza à psicodelia. O Motormama carrega o bastão do rock pelo interior cercado de sertanejo descartável e só por isso eles já mereciam um prêmio

35 – Japanese Food – Giovani Cidreira

Giovani Cidreira parece que tomou o mundo musical de assalto, mas na verdade já tem 10 anos de carreira entre a banda Velotroz, da qual fazia parte, e trabalho solo. Japanese Food mistura tradicional e moderno e, apesar de ter uma sonoridade diversificada, é recheado de boas canções, como Vai Chover, Pássaro Prata e Cantoria.

34 – Hot Thoughts – Spoon

Se o Spoon fosse uma série, seria o Seinfeld. O guitarrista e vocalista Britt Daniel é bom e constante no que faz, difícil ouvir um disco ruim deles. Assim como você consegue assistir qualquer episódio de Seinfeld sem conhecer a história, você pode ouvir qualquer disco do Spoon sem ter que entender que eles fizeram algum clássico ou mudaram alguma coisa. São só caras fazendo música boa ano após ano(não que isso seja pouco). Hot Thoughts é um bom ponto fora dessa já boa linha reta e pode surpreender positivamente quem esperava mais do mesmo.

33 – DX3 – Diego Xavier

O guitarrista deu um tempo na Bike depois de Em Busca da Viagem Eterna e se afasta um pouco da psicodelia que consagrou a banda ao lado dos Boogarins como boas novidades do rock. A estética noventista está presente em DX3 e acompanha também o vídeo de Automático. O curioso é que nos anos 1990 algumas bandas torciam o nariz na hora de fazer videoclipe, algo quase obrigatório na época por causa da MTV, e agora alguns artistas espontaneamente têm vontade de fazer algum registro visual.

32 – Capacity – Big Thief

Adrianne Lenker, a compositora da banda, lançou sua obra-prima no ano passado, que por acaso, ou não, se chama Masterpiece. Em 2017, a Big Thief fez mais um grande disco, mas Capacity, na minha opinião, está uma prateleira abaixo do seu antecessor. Tudo bem para uma compositora constante e que deve seguir os passos de gigantes como Neil Young. Ela já alugou uma casa em Minneapolis e deve trabalhar no terceiro álbum em 3 anos, em 2018.

31 – Sleep Well Beast – The National

Depois de quatro anos, a expectativa por um novo disco do National era grande. A impressão que eu tenho é que todo o confete em cima de Sleep Well Beast é meio que por inércia. É como se depois de anos sem ver um “crush”, você encontrasse uma pessoa menos legal do que ela já foi, mas ainda é aquela pessoa, então você se sente agradecido só por ela existir. Para mim é uma queda depois de três discos muito bons, mas ainda é melhor que a média do que tem por aí.

30 – Notes of Blue – Son Volt

Jay Farrar era metade do Uncle Tupelo. Quando a banda se separou, Jeff Tweedy montou o Wilco e ele o Son Volt, que nunca teve o mesmo reconhecimento comercial que a banda do ex-amigo. Notes of Blue é possivelmente um dos melhores discos de qualquer um dos projetos nos últimos seis anos, pelo menos. Mesmo assim, ele não foi lembrado como o Wilco e nem deve tocar por aqui(carinha triste).

29 – Near to the Wild Heart of Life – Japandroids

O Japandroids é aquele caso já não raro de apenas dois integrantes que fazem muito barulho. Se ao vivo eles não têm o mesmo virtuosismo e a presença de um Jack White, eles se garantem na energia. A banda faz parte daquele grupo cada vez mais escasso de artistas que pensam em um disco como um todo e isso é muito legal.

28 – Turn Out the Lights – Julien Baker

Natural de Memphis, Baker gravou seu segundo disco no estúdio Ardent, que é praticamente um ponto turístico da cidade para quem gosta de música. Turn Out the Lights vem com a chancela da gravadora Matador e de heróis da cena independente dos EUA como Conor Oberst e Death Cab for Cutie, que chamaram a jovem cantora para abrir seus shows.

27 – Prisoner + Prisoner b sides – Ryan Adams

Esse é o disco de término de relacionamento do Ryan Adams. Ele escreveu a coisa toda depois da separação da cantora e atriz Mandy Moore. É o registro mais pop do guitarrista em algum tempo, mas é o álbum com os lados B(que saiu posteriormente) que mostra o tamanho da cicatriz e a música resmunguenta e triste que sempre fez parte do fascínio com ele.

26 – From a Room Vol. 1 e 2 – Chris Stapleton

Stapleton lançou um disco muito bom em que ele foge um pouco da raiz country que o consagrou. Qualquer trabalhador poderia descansar ciente do serviço bem feito, mas aí ele soltou From a Room Vol. 2. O segundo álbum volta ao tradicional som dele, mas quase ali no fim tem a pérola Drunkard’s Prayer, uma das melhores músicas não do ano, mas de sempre. Pelo amor de Deus, aperta esse play.

25 – Aromanticism – Moses Sumney

Este é um disco sobre relações de uma noite e a incapacidade de ser romântico, tudo isso cantado com uma voz incrível. “Eu não rejeito o amor romântico”, disse Sumney ao jornal inglês The Guardian. Ele vai além: “Acredito que ele exista para algumas pessoas, mas outras nunca vão ter e isso pode se manifestar negativamente”. Parafraseando Roberta Fleck(eu sei que a música não é dela, mas que se dane), Moses Sumney canta minha vida com suas palavras.

24 – Cortes Curtos – Kiko Dinucci

Cortes Curtos é o primeiro disco solo de Kiko Dinucci, logo ele que já fez e participou de tantos projetos. Ele diz que se inspirou em Transformer, do Lou Reed, mas uma versão paulistana de Transformer. De fato é um disco que traduz a cidade nesse momento. Tem relatos de xenofobia, homofobia, depressão, barulho, muito barulho, mas também é cheio de belezas escondidas e diversidade.

23 – Hard Love – Strand of Oaks

Só de misturar rock de arena do tipo que o Pearl Jam e o Bruce Springsteen fazem com a agressividade de um Dinosaur Jr e contar histórias sobre como ele gravava músicas no porão de casa em suas músicas, eu já poderia amar o Tim Showater. Acontece que ele sobreviveu um acidente de carro grave, teve a casa queimada, traiu e foi traído em um relacionamento complicado. Tudo isso bebendo, tomando drogas(não usem drogas) e fazendo canções bonitas. Hard Love é meio que um tiroteio para todo lado, mas ele não desperdiça muitas balas.

22 – The Nashville Sound – Jason Isbell & The 400 Unit

Jason Isbell já seria legal se continuasse no Drive by Truckers, mas ele saiu e virou um dos principais nomes do country rock, ofuscando até sua antiga banda. The Nashville Sound é o sexto álbum do cantor e guitarrista, que também foi o primeiro a tocar a guitarra perdida de Bob Dylan no festival de Newport, nos EUA. A mesma guitarra que deixou as pessoas de cabelo em pé nos anos 1960.

21 – Soft Sounds From Another Planet – Japanese Breakfast

Soft Sounds From Another Planet era para ser um disco conceitual sobre o espaço e o cosmos, mas o máximo que Michelle Zauner conseguiu foi falar sobre a viagem que é nossa passagem pela Terra. Talvez tenha sido melhor assim.

20 – A Deeper Understanding – The War On Drugs

A Deeper Understanding é a estreia do projeto de Adam Granduciel em uma grande gravadora. The War on Drugs faz parte de uma boa geração da Philadelphia, que também tem Kurt Vile entre seus destaques, e talvez seja a prova viva de que o rock morreu- exatamente por ser muito bom e pouco prestigiado. A Deeper Understanding é um dos melhores de 2017, mas não vai mudar nada, não é um marco no ano e não representa nada além do fato de que Granduciel consegue compor canções apaixonantes. Nada que nos impeça de ouvir à exaustão.

19 – American Dream – LCD Soundsystem

Sete anos após a aposentadoria, James Murphy ressuscitou seu projeto mais bem sucedido. American Dream não é nem de longe o disco mais legal da banda, mas é o único que conseguiu realizar o sonho de chegar à primeira posição das paradas dos EUA. Se tivesse sido lançada na primeira década deste século, Call the Police seria um hit instantâneo.

18 – UNDIVIDED HEART & SOUL – JD McPherson

McPherson era um professor de arte que se viu obrigado a transformar a paixão pela música em trabalho depois que seu contrato em uma escola não foi renovado. Deu certo. UNDIVIDED HEART & SOUL é o seu terceiro disco e nele você pode encontrar as influências de rock que o músico tanto ama, tudo aquilo que o Hall da Fama do Rock esnobou mais uma vez ao deixar MC5 e Link Wray de fora.

17 – Need To Feel Your Love – Sheer Mag

A Sheer Mag é uma das bandas mais interessantes da atualidade, mas eles ainda deviam um disco inteiro. Depois de três EPs muito legais, finalmente o álbum completo veio em 2017. O som mistura punk, rock clássico e pop chiclete que não sai da cabeça, com uma vocalista carismática e com voz muito característica.

16 – The Visitor – Neil Young + Promise of the Real

Se não fosse tão bem sucedido, Neil Young já teria sido internado. Entre os vários projetos impossíveis(Pono e carrões clássicos elétricos) está o novo arquivo público de toda a obra do cantor, que em tempo de grandes empresas de streaming não faz o menos sentido. Junto com o volume imenso de clássicos, Neil disponibilizou um novo disco com a banda Promise of the Real. Coisa fina que merece ser escutada.

15 – No shape – Perfume Genius

O disco todo é muito bonito, mas Slip Away é uma música grandiosa que inicia logo no começo, após a singela Other Side. Slip Away é um hino a todas as formas de amor e, porque Mike Hadreas sofreu muito preconceito por ser gay e luta até hoje contra a doença de Crohn, também é um manifesto bonito de autoafirmação. No Shape é o disco que o LCD Soundsystem não conseguiu fazer este ano.

14 – Lá Vem a Morte – Boogarins

Na medida do possível, o Boogarins tem uma carreira consolidada no Brasil. Digo na medida do possível porque o rock hoje não é nem de longe o ritmo mais relevante do momento. O que algumas bandas têm feito é criar um público internacional para elevar o teto de onde eles podem chegar e os caras de Goiânia já fizeram turnês na Europa e EUA tocando sozinhos e com atrações locais. Em Lá Vem a Morte, eles amarram música após música para te fazer perceber a importância do disco e conseguem encaixar as músicas antigas quando tocam ao vivo sem grandes problemas. Eu gostaria de assistir a um show deles abrindo para o Portugal, The Man e ver a cara dos gringos com os brasileiros mostrando que poderiam ser a atração principal.

13 – Night Shop – Night Shop

Nos anos 1980 e 1990, o U2 costumava chamar bandas que estavam começando para abrir seus shows e você tinha que ficar atento porque eram bandas que iriam fazer muito barulho. O Pearl Jam foi uma das que tocou com eles no início de carreira nos 5 minutos que eles tiveram antes da fama. Hoje em dia eles têm convocado bandas mais consagradas e ninguém que goste de música liga mais para o que o Bono tem a dizer, você tem que se ligar em outras coisas. Muito bem, outro dia a Laura Jane Grace do Against Me! sugeriu aos seguidores dela no Instagram que ouvissem o Night Shop. Eu ouvi porque para mim ela é uma das pessoas mais legais desse mundo e me surpreendi. Não tem nada a ver com Against Me!, é um folk calmo e bem feito que você não consegue parar de escutar.

12 – Melodrama – Lorde

Melodrama é uma das poucas unanimidades deste ano. Qualquer lista que não tenha o disco não pode ser levada a sério. Aos 21 anos, a cantora já atingiu a maturidade musical e segue com o vozeirão que já serviu até para substituir Kurt Cobain(quando o Nirvana entrou para o Hall da Fama do Rock). Talvez ela ainda precise amadurecer ao escrever as letras para ir além dos contos do fim de semana e colocar os seus discos entre os clássicos que desafiam o tempo.

11 – Harry Styles – Harry Styles

Goste ou não, o One Direction foi uma das bandas mais bem sucedidas da história. Eles estiveram, ano após ano, no topo dos artistas que mais faturaram com shows, conseguiram emplacar discos nas paradas e poderiam ficar sem trabalhar pelo resto da vida. Entretanto, na carreira solo, eles conseguiram igualar mais um recorde dos Beatles. Ao lado dos quatro de Liverpool, eles são os únicos que conseguiram discos número 1 nos EUA com três integrantes diferentes. Entre eles, Harry Styles conseguiu fazer o álbum mais interessante.

10 – Concrete and Gold – Foo Fighters

Os dois últimos projetos do Dave Grohl eram experiências mais importantes pelo visual do que qualquer outra coisa. A trilha sonora de Sound City e o disco Sonic Highways, do Foo Fighters, tinham boas músicas, mas o valor era muito mais documental. Para este trabalho, ele escolheu o produtor pop Greg Kurstin, uma aposta que tinha tudo para dar errado, e conseguiu entregar um dos melhores discos da banda. Nem a miríade de convidados bizarros (para uma banda de rock), como Justin Timberlake e Shaw Stockman do Boyz II Men, conseguiu estragar a unidade do disco. É a homenagem do Foo Fighters a clássicos como Beatles e Pink Floyd.

9 – Go Farther in Lightness – Gang of Youths

Aquele disco lindão que o National estava prometendo na verdade foi lançado na Austrália. O Gang of Youths descreve o som deles como “pseudotragic beautiful loser fatalism” no Facebook. Traduzindo não literalmente para o português poderia ser algo como música para reclamar da vida para quem não tem problemas de verdade, que é basicamente o que eu ouço/sou no cotidiano.

8 – Liam + Noel Gallagher

Mandar nas composições foi uma das condições impostas por Noel para entrar na banda do irmão. Do meio para o fim do Oasis, ele permitiu que Liam colaborasse, mas esta é a primeira vez que o caçula consegue fazer músicas melhores. Who Built the Moon foi muito elogiado e chegou ao primeiro lugar das paradas inglesas, mas As You Were vendeu mais e tem uma coleção de canções pop que fazem você ter menos saudade da antiga banda dos dois. De qualquer forma, são dois bons discos que poderiam estar no topo das listas de fim de ano se fossem apenas um.

7 – Galanga Livre – Rincon Sapiência

Falar de Rincon Sapiência agora no fim do ano é chover no molhado. Galanga Livre vem sendo celebrado desde o seu lançamento no primeiro semestre e abocanhou vários prêmios. O próprio Rincon foi escolhido como artista do ano pela APCA.

6 – Process – Sampha

Sampha Sisay já colaborou com pesos-pesados da música, como Drake, Kanye West e Solange Knowles, mas este é o seu primeiro disco solo. O álbum é dedicado à mãe dele, que morreu de câncer em 2015, e (No One Knows Me) Like the Piano fala um pouco disso. O primeiro trabalho “full” do cantor também vem acompanhado de um filme dirigido por Khalil Joseph, mesmo responsável pela viagem visual que acompanhou o Lemonade, da Beyoncé.

5 – Combo Replacements

Foi um ano movimentado para os fãs dos Mats (encurtamento de Placemats, o apelido da banda) como eu. O Ano começou com o bom Anything Could Happen, do Bash & Pop, projeto de Tommy Stinson. O próprio Bash & Pop reeditou o disco de estreia, Friday Night is Killing Me, lançado em 1993 após o fim dos Replacements. Em julho, Paul Westerberg iniciou uma saga que se estendeu até setembro. Todos os sábados ele publicou uma nova gravação no site Dry Wood Music, a maioria gratuitamente. Em outubro, a Rhino editou o disco ao vivo, For Sale, gravado em 1986, pouco depois de a banda lançar o clássico Tim e meses antes da saída do guitarrista Bob Stinson. Apesar da embriaguês, que é acompanhada pelos fãs(alguém da plateia grita Color Me Impressed quase no fim do show, a segunda música que eles tocaram, e Westerberg responde:”acho que já tentamos essa hoje” e Bob diz: “Sério?”), a banda se mostra em grande forma. Esse é o primeiro grande registro ao vivo oficial(The Shit Hits the Fans não era exatamente o melhor deles). O disco ficou uma semana como vinil mais vendido e também ranqueou bem nas listas da Bilboard, o álbum mais vendido da história da banda. Já em novembro, o ex-baterista Chris Mars, que hoje se dedica à bem sucedida carreira de artista visual, também disponibilizou o divertido Note to Self no esquema pague o quanto quiser.

4 – Pure Comedy – Father John Misty

O Josh Tillman, que é o Father John Misty, escreveu um disco que até o ano passado, quando ele foi produzido, poderia ser profético e apocalíptico. Como ele lançou Pure Comedy em 2017, é como se ele tivesse descrevendo o atual estado das coisas.

3 – 4:44 – Jay-Z

4:44 não é tão bom quanto o Lemonade, da Beyoncé, mas é o melhor que o Jay-Z pode fazer após a influência da esposa, e é uma reinvenção, aos 47 anos, de um dos mais importantes artistas da história do hip-hop.

2 – DAMN. – Kendrick Lamar

Kendrick Lamar fundiu a cabeça de todo mundo com To Pimp a Butterfly, de 2015, e não parou de fazer música boa desde então. DAMN. é menos ambicioso, mas provavelmente mais pop. Músicas como HUMBLE e LOYALTY grudam na cabeça. De quebra, ele tira onda com comentaristas do canal de televisão Fox e usa a fala deles como sample.

1 – Eletrocardiograma – Flora Matos

No seu disco de estreia, Flora Matos conta a história de um relacionamento. Primeiro a paixão, depois a frustração, uma tentativa de reconciliação, de achar que o problema era ela, até perceber que na verdade estava dentro de uma relação abusiva. No final, a autoafirmação de uma mulher machucada e não sabemos nem se só psicologicamente, mas ela reage.

A revista Time deu o prêmio de “Personalidade do Ano” para as mulheres que quebraram o silêncio para denunciar o assédio sexual em Hollywood. Por aqui, tivemos a luta contra casos de racismo e assédio e a luta das mulheres contra o proposta de emenda à constituição discutida no Congresso e que pode proibir o aborto até em casos de estupro. Eletrocardiograma não é em momento algum panfletário, não denuncia, não aponta o dedo, mas ainda assim pode representar tudo que está acontecendo pelo simples fato de Flora ter contado sua história. Ele pode até não virar um clássico da música brasileira, mas em 2017 é parece fundamental.

Se você é homem e tem alguma autocrítica, você provavelmente vai ter o impulso de pegar o telefone e ligar para alguma mulher para se desculpar após ouvir Eletrocardiograma. Se você for mulher, você vai abrir um sorriso ao final e perceber que não está sozinha, por pior que a situação possa parecer.

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