Obras de Julio Cortázar passarão a ser publicadas pela Companhia das Letras
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Obras de Julio Cortázar passarão a ser publicadas pela Companhia das Letras

Primeira publicação, agendada para 2019, será uma reunião de todos os contos do escritor argentino em um box

Guilherme Sobota

02 Abril 2018 | 12h12

Julio Cortázar (1914-1984) está de casa nova no Brasil: a Companhia das Letras anunciou nesta segunda-feira, 2, que em 2019 passa a publicar a obra do autor argentino por aqui.

A coleção Julio Cortázar na Companhia das Letras começará com a publicação, inédita no Brasil, de uma reunião de todos os contos do escritor argentino, em um box caixa, em dois tomos, segundo a nota da editora.

Depois, serão lançadas novas edições de O jogo da amarelinha (1963), Bestiário (1951), Final do jogo (1956), As armas secretas (1959), Todos os fogos o fogo (1966), Octaedro (1974), Queremos tanto a Glenda (1980), História de cronópios e de famas (1962), Um tal Lucas (1979), Os autonautas da cosmopista (1983), Os prêmios (1960), 62 modelo para armar (1968), Divertimento (1986), O exame (1986), A volta ao dia em oitenta mundos (1967), Último round (1969), O discurso do urso (1952) e a versão ilustrada por José Muñoz do conto O perseguidor.

Cortázar em Paris, junho de 1976. Foto de Anne de Brunhoff

Os livros terão capas feitas especialmente para as edições brasileiras pelo artista norte-americano Richard McGuire — capista da revista New Yorker e autor de Aqui.

O Grupo Record, que publicava os livros de Cortázar com a Civilização Brasileira, confirmou a informação, mas preferiu não falar nada sobre a mudança.

O professor e crítico Davi Arrigucci Jr., autor de O escorpião encalacrado, diz via comunicado que “a escrita de Cortázar se distingue, entre os grandes narradores hispânicos do século XX, pelos riscos com que assumiu a liberdade de inventar, por vezes beirando o limite da destruição da narrativa ou o impasse do silêncio […] Uma literatura de invenção marcada na essência pela busca e pela experimentação contínua de novos rumos. Uma obra em rebelião permanente, em constante transformação”.

A Companhia das Letras avalia que Cortázar passa por um momento de redescoberta. “Ele começa a ser lido de um jeito inédito, menos automático e reverente”, diz o editor Emilio Fraia, também em nota. “Às vezes é preciso que surja uma nova geração de leitores para enxergar um escritor com certa distância. É o que a Companhia vai ter a oportunidade de fazer agora com Cortázar.”

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