Duas revistas: Baiacu e Helena
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Duas revistas: Baiacu e Helena

Publicações de alto nível botam para circular ideias e criações originais de nomes como Laerte, Angeli e Silviano Santiago

Guilherme Sobota

17 Novembro 2017 | 11h06

A chegada às bancas de novas revistas culturais é sempre uma boa notícia, mas quando essas novas publicações são iniciativas inteligentes, ousadas e bonitas, a notícia é ainda melhor. A Baiacu (São Paulo) e a Helena (Curitiba) já estão circulando e certamente valem a empreitada.

A Baiacu é um projeto de Angeli e Laerte que teve como base uma residência artística na bela Casa do Sol, morada de Hilda Hilst em Campinas. Dez artistas selecionados pela dupla trabalharam juntos para conceber o livro, que saiu, lindo, pela Todavia. O lançamento é no sábado, 18, no Sesc Ipiranga, com a presença de Laerte e vários dos autores, a partir das 15h.

Contracapa do zine ‘Pirarvcv’, de Diego Gerlach, encartado na Baiacu, com desenho da equipe envolvida no projeto

São quadrinhos, ilustrações, textos, um zine e um pôster, de gente como Guazelli, Diego Gerlach, Pedro Franz, Fabio Zimbres, André Sant’Anna, Daniel Galera, Rafael Sica, Juliana Russo, Power Paola e Bruna Beber.


No editorial no fim do livro, Laerte explica que a vontade era fazer um fanzine de mimeógrafo (“eu juro pra vocês”) e vender em cinemas e bares por R$ 5. A ideia foi ganhando “outros corpos” e virou a Baiacu.

Ao lado do texto da Laerte, uma série de desenhos, uma série, “Angeli Grita”. Ele levanta placas. “Tocam as trombetas”, “Abaixo as vacas sagradas”, “Corações dormem ao relento”, “Bob Dylan ainda vive”.

Os desenhos são incríveis, durante todas as 320 páginas do projeto. Os textos também são bons – destaco o Vernissage, de Anna Claudia Magalhães (uma provocação ousada e frontal para basicamente muita gente que vai segurar a revista nas mãos), e a espécie de manifesto neo-futurista de André Sant’Anna, Discursos Sobre a Metástase.

Ali no meio tem uma série inspiradíssima de desenhos do Angeli. Coisa de colocar na parede com orgulho.

BAIACU

Vários autores

Editora: Todavia (320 págs. R$84,90)

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A Helena, na verdade, não é nova (esse é o número 6), mas ela volta agora reformulada e com a proposta de mais conteúdo de âmbito nacional, segundo a própria Biblioteca Pública do Paraná, que edita a publicação.

São ensaios, reportagens, crônicas, textos de ficção e poemas, fotos e ilustrações, também num formato livro, agora quadrado. Maria Amélia Mello, atualmente na Autêntica mas por 30 anos editora da José Olympio, repassa sua trajetória no mercado editorial. O sempre brilhante Silviano Santiago escreve sobre Guimarães Rosa e Pasolini, e Marcelo Mirisola discorre sobre boa literatura numa crônica em que fala de um enquadro de Sabato em Borges.

Ilustração de André Dahmer no número 6 da ‘Helena’

Outros nomes que escrevem ou aparecem na revista: José Carlos Fernandes, Felipe Hirsch, Alexandre Matias, DW Ribastki, Luís Augusto Fischer, João Varella e Anna Muylaert.

Todo o conteúdo da revista está disponível online, no site: http://www.helena.pr.gov.br/.

A tiragem física é de mil cópias e tem distribuição gratuita na Biblioteca Pública do Paraná e nas bibliotecas e escolas de ensino médio do Paraná, além de pontos de cultura de Curitiba.

Ilustração de Bennet na capa da ‘Helena’ #6

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