7 apostas para o Prêmio Nobel de Literatura de 2016: Ngugi Wa Thiong’o, Philip Roth, Juan Marsé e mais
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7 apostas para o Prêmio Nobel de Literatura de 2016: Ngugi Wa Thiong’o, Philip Roth, Juan Marsé e mais

Guilherme Sobota

06 Outubro 2016 | 14h48

Provavelmente, nenhum dos escritores relacionados abaixo vai ser o nome anunciado na próxima quinta-feira, 13, quando a Academia Sueca anunciar (primeiro em sueco) o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2016. Mas quem é que não gosta de apostar.

Na ano passado, a Ladbrokes, casa de apostas inglesa, cravou. Svetlana Alexiévitch era a primeira da lista no dia anterior ao anúncio, por que, ninguém sabe: escritora de não-ficção, história oral, jornalismo literário… não é bem o perfil do Nobel. Mas também não é do perfil da Academia vazar informações. Vai saber.

Antes das apostas, vamos lembrar dos últimos vencedores:

Svetlana (2015).


Patrick Modiano (romancista francês que trata das memórias doloridas de seu país em relação à Ocupação alemã durante a Segunda Guerra, 2014).

Alice Munro (contista canadense que construiu uma obra sólida, arquitetando com maestria epifanias sobre família e amor a partir de fatos corriqueiros, 2013).

Mo Yan (romancista chinês que mistura uma espécie particular de realismo com seu folclore local, que de fato sofreu com a política do seu país, mas foi criticado por pares por não ser solidário o suficiente, 2012).

Tomas Tranströmer (poeta sueco, que acabou não sendo publicado no Brasil, 2011).

Mario Vargas Llosa (Mario Vargas Llosa, 2010). E antes dele, Herta Müller, romena-alemã, que também escreve sobre os horrores dos regimes comunistas no leste europeu.

Belarus writer and Nobel Literature Laureate Svetlana Alexievich (L) speaks during her Nobel lecture at the Swedish Academy in Stockholm, Sweden, December 7, 2015. The Nobel Prize award ceremony will take place in Stochkolm on December 10. REUTERS/Fredrik Sandberg/TT News Agency ATTENTION EDITORS - THIS IMAGE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY. FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS. THIS PICTURE IS DISTRIBUTED EXACTLY AS RECEIVED BY REUTERS, AS A SERVICE TO CLIENTS. SWEDEN OUT. NO COMMERCIAL OR EDITORIAL SALES IN SWEDEN. NO COMMERCIAL SALES.

Svetlana Alexiévitch no discurso de recebimento do Nobel em dezembro de 2015. Foto: REUTERS/Fredrik Sandberg/TT News Agency

A partir disso dá para se definir algumas diretrizes (no puro chute, afinal as coisas não são assim). Mas, na cara e na coragem: Não será um francófono. Não será alguém que escreva sobre as feridas dos regimes de esquerda. Não será Haruki Murakami.

Abaixo alguns palpites (e entre parênteses as probabilidades na Ladbrokes):

1) Ngugi Wa Thiong’o (10/1)

Um escritor africano negro não leva o Nobel desde 1986, quando o nigeriano Wole Soyinka foi agraciado. Ngugi teve que viver no exílio de seu país natal, o Quênia, por lutar por direitos civis, e isso sempre conta pontos.

2) Philip Roth (7/1)

A última norte-americana a levar o Nobel foi Toni Morrison, em 1993, e Philip Roth é um dos escritores mais brilhantes do mundo. Mas o palpite está aqui mais por torcida do que por outra coisa. Segundo Alex Shepard, nesse hilário artigo na New Republic, a Academia não vai premiar um americano no Ano de Trump.

3) Jon Fosse (20/1)

É pouco provável que outro escandinavo seja escolhido, apenas cinco anos depois de Transtromer. E Fosse, poeta, ficcionista e dramaturgo norueguês, tem apenas 56 anos. Então é provável que ele fique mais para frente, mas vai saber.

4) Juan Marsé (33/1)

O romancista espanhol publicou um novo livro em 2016, aos 83 anos: sua ficção, que lhe rendeu o Prêmio Cervantes em 2008, trata dos efeitos das guerras e do franquismo especialmente na região de Barcelona. Um tema caro ao Nobel, sem dúvida.

5) Antonio Lobo Antunes (20/1)

Será Lobo Antunes o segundo lusófono a levar o Nobel? Na lista da Ladbrokes, ele é o primeiro dos “desconhecidos”.

6) Abraham B. Yehoshua (25/1)

Israel tem um Prêmio em 1966 e depois nunca mais: Yehoshua é considerado por muitos o maior escritor de seu país, mas talvez um par de declarações polêmicas sobre a relação judeus-Israel “impeçam” a Academia de premiá-lo…

7) Marilynne Robinson (50/1)

Já que a ideia é não premiar um americano no Ano de Trump… que tal dar o Nobel para uma escritora norte-americana que está na lista da Time deste ano como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo?

O anúncio sai dia 13. Qual é o seu palpite?