Babel: Quanto custou o projeto de ‘simplificar’ clássicos de Machado de Assis e José de Alencar
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Babel: Quanto custou o projeto de ‘simplificar’ clássicos de Machado de Assis e José de Alencar

Maria Fernanda Rodrigues

09 Maio 2014 | 20h41

A coluna Babel publicada no Caderno 2 de 10 de maio traz informações sobre o valor do projeto de Patricia Secco que gerou polêmica, a criação de uma escola de formação de escritores para adolescentes, a gestação de um festival literário holandês em São Paulo e no Rio e outras notícias do mercado literário.

POLÊMICA
O preço de ‘simplificar’ Machado e José de Alencar

Às vésperas do lançamento de suas adptações de O Alienista, de Machado de Assis, e de A Pata da Gazela, de José de Alencar, projeto que gerou polêmica entre leitores que se revoltaram com a ideia de ver palavras de autores clássicos alteradas e simplificadas, a escritora Patricia Engel Secco se recusou a falar sobre os valores de seu projeto. Mas o Estado apurou que, em 2009, ela pediu autorização ao Ministério da Cultura para captar R$ 1.530.480. A proposta era “escolher quatro títulos de autores brasileiros e editá-los de forma que os livros sejam acessíveis e de fácil leitura”. Deixaram que ela pedisse R$ 1.455.980 – no parecer, excluíram o custo de R$ 36 mil destinado a coordenação e reduziram outros gastos. Ela captou R$ 1.039.000 e fez dois livros, que serão distribuídos gratuitamente. Entre os apoiadores, a Mahle Metal Leve e a Tortuga Companhia Zootécnica – ambas deram R$ 200 mil. Segundo o MinC, a prestação de contas está sendo analisada.


Mais sobre o assunto no Caderno 2 de 9/5:
João Cézar de Castro Rocha analisa iniciativa de ‘simplificar’ obras
Patricia Engel Secco defende projeto de ‘facilitar’ obra de Machado de Assis

CURSO
Casa das Rosas cria curso de formação de escritor para adolescentes
Depois de duas edições concorridas do Curso Livre de Preparação do Escritor (Clipe) – na primeira, foram 509 inscrições em três semanas; na segunda, 498 em quatro dias –, o Centro de Apoio ao Escritor da Casa das Rosas decidiu ampliar seu público. O curso original segue com as 30 vagas anuais. A novidade é o Clipe Jovem, para aspirantes a escritor entre 14 e 18 anos – público normalmente não incluído nas demais oficinas.
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Serão quatro módulos mensais, e cada um deles terá quatro encontros semanais – e vespertinos – com duração de 2h30 cada um. As inscrições começam em junho e as aulas, no segundo semestre.

FESTIVAL – 1
Festa com holandeses

A Fundação Holandesa das Letras quer realizar um festival em São Paulo e no Rio em setembro de 2015, com autores já traduzidos, como Herman Koch, de O Jantar. Em visita ao País, os diretores Tiziano Perez (esq., na foto de Felipe Rau/Estadão) e Maarten Valken comentaram os planos e o programa de apoio à tradução.
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É o terceiro ano seguido que os representantes da fundação vêm ao país para encontros com editores e organizadores de festivais literários. O objetivo é divulgar a literatura holandesa. Eles se propõem a dar bolsas de tradução (bancam 70% de obras clássicas e 100% de clássicos) e a trazer autores para cá, mas não encontram muito interesse. A maior problema é a falta de bons tradutores – eles conhecem dois – e sabem que o trabalho é de formiguinha.
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Quanto ao festival, ainda não decidiram se farão sozinhos ou em parceria com algum outro evento literário. Pensam em trazer cerca de oito escritores, e a ideia é que todos estejam editados em português até lá. Entre os autores com boas chances de aportarem por aqui, além de Koch, Barbara Stok, autora de Vincent, biografia em quadrinhos de Van Gogh que está no prelo da L&PM. Enquanto analisam a questão, se organizam para a Feira do Livro de Frankfurt de 2016, quando serão homenageados. 

FESTIVAL – 2
Pauliceia pula 2014
A segunda edição da Pauliceia Literária vai mesmo ficar para o ano que vem. Em 2014, serão realizadas apenas encontros do Café com Letras – o primeiro, com mediação de Renata Megale, debate O Processo, de Kakfa, no dia 20, na Associação dos Advogados.

NÃO FICÇÃO
Graciela digital
A jornalista argentina Graciela Mochkofsky, que vem para a Flip, terá seu primeiro livro publicado no País pela e-galáxia. Estação Terminal. Viajar e Morrer Como Animais, em que trata do desastre na estação Once, em Buenos Aires, em 2012, sairá em e-book em agosto.

HISTÓRIA
Ensaios de Emília Viotti
A Unesp lança em junho Dialética Invertida e Outros Ensaios, com artigos de Emília Viotti, ex-orientanda de Sérgio Buarque de Hollanda, professora emérita da USP e aposentada de Yale, sobre a metodologia da história, publicados em jornais e revistas – dois deles inéditos.

ADAPTAÇÃO
‘Vidas Secas’ em HQ
Eloar Guazzelli que, como a coluna adiantou, prepara as ilustrações de livro infantil de e. e. cummings, trabalha, também, na adaptação de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, para os quadrinhos. O texto é de Arnaldo Branco e a obra sai pela Galera Record no fim do ano.