O que o mercado editorial espera do Vale Cultura
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O que o mercado editorial espera do Vale Cultura

Maria Fernanda Rodrigues

10 Março 2014 | 20h14

O mercado editorial se reúne nesta terça-feira com a ministra Marta Suplicy, na livraria Saraiva do Shopping Eldorado, para a entrega simbólica dos cartões do Vale Cultura a funcionários da rede, que aderiu ao novo programa do Ministério da Cultura. A ideia da ministra é que 42 milhões de trabalhadores recebam o Vale Cultura. Desde janeiro, foram distribuídos 160 mil cartões. Outras 340 mil pessoas estão esperando o envio do vale e a expectativa é de que 860 mil pessoas recebam o benefício até o final de 2014.

Uma matéria sobre esse assunto está no Caderno 2 de terça-feira, dia 11, leia aqui o texto.

A seguir, as expectativas do mercado editorial com relação ao programa.

KARINE PANSA – Câmara Brasileira do Livro

“O Vale Cultura sem dúvida irá proporcionar aos brasileiros a ampliação do acesso ao conhecimento. A nossa expectativa é muito grande, pois desde o anúncio do programa percebemos sua relevância e acreditamos que o setores editorial e livreiro serão bastante beneficiados”, comenta Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro. Um dos desafios para o mercado editorial será atrair esse contingente de novos consumidores para dentro das livrarias. “Caberá aos setores trabalharem de modo proativo para cativar o público. Para isso, a CBL está à inteira disposição de seus associados e setores afins para trocar informações e discutir novas formas de promover o livro. Um bom momento para colocar em prática a criatividade, por exemplo, será na Bienal Internacional do Livro, que acontece em agosto próximo. O Vale Cultura poderá ser usado na compra de ingressos e, claro, para a aquisição de livros durante todo o evento.”

Para Pansa, o programa vai mexer com o mercado “de forma grandiosa”. Ela explica: “O Vale Cultura permitirá a ampliação das vendas em curto prazo. Só para fazermos um exercício, se cada indivíduo inicialmente beneficiado ­– a projeção é de que um milhão de trabalhadores seja contemplado no primeiro ano ­– comprar um livro por mês, serão 12 milhões de exemplares anuais. Isso significa quase 5% dos 268,56 milhões vendidos em 2012 nas livrarias e outros canais de comercialização ao público final.”

EDNILSON XAVIER – Associação Nacional de Livrarias

“Esperamos com muita expectativa que o Vale possa incrementar as vendas de livros em nosso país, principalmente entre as livrarias localizadas fora dos grandes centros em todas as regiões brasileiras. E acredito que 
a cadeia produtiva, distributiva e mediadora do livro deva unir esforços para dar uma maior visibilidade à importância da leitura junto ao cidadão. Esse é um grande momento, temos que aproveitar“, comenta Ednilson Xavier, presidente da Associação Nacional de Livrarias. A entidade não prevê uma campanha específica para incentivar o uso do Vale Cultura em livrarias, mas trabalha na campanha lançada em agosto e que ganhou o título de Uma Livraria Pode Transformar a Sua Vida. O objetivo é incentivar o hábito de ir a livrarias.

Sobre como o Vale Cultura pode ajudar as pequenas e médias livrarias a sobreviverem, Xavier diz: “Inicialmente o próprio livreiro deverá tomar iniciativas. Ele tem que se mostrar ativo e criar possibilidades. Como já vem trabalhando junto às escolas e professores, por exemplo, na venda do livro didático, ele deverá estreitar seu relacionamento com a comunidade local. Não apenas com seus clientes/leitores, mas principalmente com as empresas de sua região, num corpo a corpo direto com os departamentos de RH, criando iniciativas que atraiam os novos leitores que surgiram com o Vale Cultura.

DIEGO DRUMOND – Associação Brasileira de Difusão do Livro

“A ABDL acredita que o Vale Cultura expandirá enormemente as possibilidades de atuação da venda direta de livros, especialmente dos vendedores porta a porta. Muitas pessoas abordadas pelos vendedores hoje não possuem recursos ou um estímulo para se iniciarem no mundo da leitura, e este caminho será facilitado com o Vale Cultura”, comenta Diego Drumond, presidente da Associação Brasileira de Difusão do Livro. Em fevereiro, durante o Salão de Negócios, vendedores, distribuidores e editores de livros de todo Brasil apresentaram suas dúvidas e sugestões à Ana Cristina Wanzeler, secretária de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC. Para Drumond, há um movimento de todos os associados no sentido de investir, de aceitar e divulgar o Vale Cultura.

Como os vendedores já usam máquinas de cartão de crédito, a adesão ao programa será fácil. “Nos últimos meses do ano passado demos orientação jurídica e contábil às empresas associadas para atenderem as exigências do Vale Cultura, credenciamos e distribuímos a elas os contatos dos operadoras e, no Salão de Negócios, abrimos espaço para operadoras credenciarem na mesma hora os associados que ainda não estavam aptos a aceitarem o Vale Cultura”, conta. “Waldemar Correa, que comanda uma equipe de vendedores no Rio Grande do Sul, foi o primeiro a se credenciar.”


JORGE SARAIVA NETO – Grupo Saraiva

“Acreditamos que educação, cultura e lazer são essenciais para uma vida melhor. O Vale Cultura é um benefício raro que se adequa à nossa crença”, comenta Jorge Saraiva Neto, diretor-presidente da Saraiva desde abril de 2013. A empresa acaba de aderir ao programa do Ministério da Cultura e já deu o cartão, que será carregado com R$ 50 todos os meses, aos funcionários do grupo que ganham até cinco salários mínimos. Além disso, a Saraiva recebe, em todas as suas 112 lojas espalhadas pelo país, o Vale Cultura como forma de pagamento de livros, discos, filmes, jornais e revistas. Muito em breve aceitará, também, o cartão para compras pela internet.  

 

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