Livros da Cosac Naify serão destruídos na virada do ano
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Livros da Cosac Naify serão destruídos na virada do ano

Diretor financeiro da editora diz que não pode doar os volumes para bibliotecas, porque isso gera 'transtorno contábil', nem dar aos autores

Maria Fernanda Rodrigues

22 Setembro 2016 | 11h09

cosac naify

Outros tempos. Etapas de impressão de ‘Peter e Wendy’ (Foto: Clayton de Souza/Estadão)

Em entrevista exclusiva ao Estado no dia 30 de novembro de 2015, Charles Cosac anunciou que estava fechando sua editora, a Cosac Naify, referência em livros de arte e que mudou a cara do livro feito no Brasil, depois de 20 anos de prejuízo financeiro. Os direitos de publicação de algumas obras foram transferidos para outras editoras. A Amazon ganhou o status de livraria oficial da editora, e queimou boa parte do estoque em promoções que agradaram os leitores/fãs da editora. E a editora manteve-se aberta durante todo esse ano, mesmo inoperante (embora tenha lançado um ou outro livro que já estava no prelo), por questões legais.

Agora, uma nova notícia choca os bibliófilos de plantão. Em entrevista ao Publishnews, veículo especializado na cobertura do mercado editorial, publicada nesta quinta-feira, 22, Dione Oliveira, diretor financeiro da Cosac Naify, disse que até 31 de dezembro os livros que ainda não tiverem sido vendidos serão picotados e vão virar aparas. Uma prática comum diante dos custos de manter um estoque, mas que ainda assim causa revolta. Porque eles podiam ser doados para bibliotecas ou dados a seus autores, ou vendidos nos tradicionais saldões que a editora costumava fazer.

Na reportagem, Oliveira argumentou: “Tem um problema que muitas pessoas desconhecem. Doações geram um transtorno contábil na empresa. Se faço uma doação de um livro, tenho que reconhecer o custo disso. Se eu faço a doação de um volume considerável de livros, eu gero um resultado financeiro negativo absurdo, fora da curva”. A falta de pessoal para cuidar dessas doações também foi citada pelo diretor financeiro, que disse ainda que não pode doar os volumes para os autores, mas que eles terão prioridade na compra, e que a Amazon não ficou com todo o estoque da casa, só com alguns dos títulos.


A Amazon segue vendendo os títulos que estão em seu estoque até eles acabarem – nesse período, algumas obras foram reimpressas. Em nota enviada ao Estado, a varejista disse que não discute estratégias comerciais e que agradece a Cosac Naify pela confiança. Na entrevista, Dione Oliveira comentou que “seria fantástico se a Amazon tivesse comprado todo o estoque, como dizem por aí, mas isso não foi verdade, infelizmente”.

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