Feira do Livro de Frankfurt debate o papel das editoras e livrarias em tempos sombrios
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Feira do Livro de Frankfurt debate o papel das editoras e livrarias em tempos sombrios

A abertura do evento para a imprensa na manhã desta terça-feira, 10, contou com a presença de Juergen Boos, diretor da Feira do Livro de Frankfurt, de Heinrich Riethmüller, presidente da Associação de Editores e Livreiros Alemães, e de Marcus Dohle, CEO da Penguin Random House

Maria Fernanda Rodrigues

10 Outubro 2017 | 08h57

FRANKFURT – A Feira do Livro de Frankfurt só será aberta oficialmente logo mais, às 17h (12h, no Brasil), pela chanceler alemã Angela Merkel e pelo presidente francês Emmanuel Macron, mas a manhã desta terça, 10, mostrou que a política internacional, o respeito aos direitos humanos e à democracia e a luta pela liberdade de expressão vão dominar os debates.

frankfurt book fair

Juergen Boos, presidente da Feira de Frankfurt

“Em tempos como esse, quando narrativas envenenadas se tornaram populares e que a disseminação do medo e do ódio voltaram a ser aceitáveis, nós, liberais com uma mente democrática, profissionais do livro, devemos responder com argumentos atrativos”, disse Juergen Boos, diretor da Feira do Livro de Frankfurt em conferência de imprensa. Para ele, o papel da feira é zelar pela liberdade – por isso, também, expositores com uma ideologia contrária à democracia, por exemplo, não são banidos. “Isso seria censura e não podemos fazer isso. Não vamos excluir ninguém para não dar palco a eles”, completou.

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Heinrich Riethmüller, presidente da Associação de Editores e Livreiros da Alemanha, disse que o resultado da eleição local, de duas semanas atrás, chocou, mas não o surpreendeu. “Todos nós notamos as trincheiras crescentes em nossa sociedade. As pessoas estão divididas com relação a diversas questões importantes, como a dos refugiados. Em momentos desafiadores, o mercado editorial precisa mais do que nunca se posicionar. Diante da crescente tensão social, incertezas políticas e notícias falsas, editoras e livrarias funcionam como fiadoras do bom entendimento, da informação confiável e da diversidade de opinião”.

Os discursos de Boos e de Rithmüller antecederam a fala de Markus Dohle, CEO da Penguin Random House. À frente do maior grupo editorial do mundo, com nada menos que 250 selos nos cinco continentes, Dohle se mostrou otimista com a atual situação do mercado editorial – que não foi destruído pelo livro digital, um braço da indústria que já não cresce tanto nos Estados Unidos e Europa, e não cresce o esperado nos países emergentes, mas cresce e representa, para o grupo, 20% das vendas. Ele disse que o modelo de negócio do digital e do impresso está consolidado, ao contrário do início, quando a Amazon ditava as regras.

Ele destacou, ainda, o crescimento contínuo do mercado de livros para os chamados jovens adultos. “Há 20 anos era lançado o primeiro Harry Potter. Depois vieram a saga Crepúsculo e Jogos Vorazes. Estamos lançando o novo livro do John Green e só A Culpa é das Estrelas vendeu 10 milhões de cópias nos Estados Unidos. Estamos transformando esses leitores em leitores para uma vida toda”, disse.