Feira de Frankfurt debate os grandes temas e se abre ao público levando mais best-sellers ao evento
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Feira de Frankfurt debate os grandes temas e se abre ao público levando mais best-sellers ao evento

Maior encontro do mercado editorial chega ao fim e negociações de direitos acompanham editores na volta para casa

Maria Fernanda Rodrigues

15 Outubro 2017 | 13h30

ENVIADA ESPECIAL / FRANKFURT

Com forte foco profissional – são cerca de 278 visitantes do mercado editorial – a Feira do Livro de Frankfurt começou este ano a olhar mais para o público geral. Aberta a todos no fim de semana, ela levou para o evento nomes como Dan Brown, Nicholas Sparks, Paula Hawkins e Cassandra Clare.

frankfurt book fair

Feira é aberta no fim de semana para o público e tem até concurso de cosplay (Foto: Ronald Wittek/EFE)

A outra marca foi sua politização. Foram inúmeros os debates sobre liberdade de expressão num mundo cada vez mais polarizado e surdo. Da abertura, com Juergen Boos, presidente da feira, Angela Merkel, chanceler alemã, e Emmanuel Macron, presidente francês, à entrega do Prêmio da Paz concedido pela Associação dos Livreiros Alemães para a escritora canadense Margaret Atwood, autora do distópico, e premonitório O Conto da Aia.

E o discurso foi colocado em prática. Boos disse que nenhuma editora que quisesse participar ficaria de fora – independente de sua ideologia – porque isso seria censura e daria mais visibilidade aos expositores não comprometidos com a democracia. Foi assim. E deu confusão.

Dirigente regional de um partido de ultradireita, Björn Hocke foi ao lançamento de Viver com a Esquerda. De um lado, manifestantes gritavam “Fora, nazistas’. De outro, “Todos odeiam os antifascistas”. A polícia interveio.

Confusão, também, na frente do estande do Irã. Aliás, em 2015, quando Salman Rushdie foi convidado a fazer a conferência de abertura da feira para jornalistas, o país anunciou que não viria mais. Durante todos os dias da feira, o estande do país ficou vazio, uma única pessoa estava por ali para explicar o que estava acontecendo. Neste ano, Salman Rushdie voltou à feira para falar sobre seu livro novo. E o Irã não criou caso.

Mas foi, sobretudo, uma feira de negócios e o momento em que a indústria do livro discutiu seu presente e futuro. E o futuro, eles acreditam agora, terá um novo protagonista: o audiolivro. Um detalhe interessante: pelas pesquisas apresentadas, quem compra um audiolivro hoje não tem o mesmo perfil de quem compra um livro ou e-book. Um novo público interessado em história começa a surgir.

Direitos foram comprados e vendidos – as editoras brasileiras esperam fechar vendas da ordem de US$ 650 mil –, e na maioria dos casos a negociação segue depois. Nenhum livro, no entanto, causou burburinho. As editoras vieram mais cautelosas, com a promessa de evitar a compra por impulso e comprar o que realmente valesse a pena.

Sônia Jardim, diretora do Grupo Record, comemorou um bom negócio fechado: a nova série de Cassandra Clare, famosa entre os jovens leitores, que começa a ser publicada em 2020 e terá como público-alvo os leitores adultos. Mas o negócio não foi fechado na feira. “Gastei todo o dinheiro que reservei para a feira na sexta da semana anterior. Agora só vou olhar”, brincou Sônia.

Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, veio disposto a não comprar nada, mas está saindo da feira com o novo livro do best-seller internacional Yuval Harari, de Sapiens. 21 lições para o século XXI, com uma análise sobre o presente, será publicado em 2018.

Um mercado que acompanha os debates que inquietam a sociedade está preocupado, também, com a nova geração. A editora Isabel Lopes Coelho, da FTD, percebeu um maior número de livros que falam sobre novas formatações de famílias, e disse que livros sobre refugiados, agora sobre a adaptação no novo país, também são uma tendência.