CENÁRIO – PAULO FRANCIS

João Wady Cury

17 Fevereiro 2017 | 16h57

 

“Certo ou errado nos papéis, há poucas sensações tão intensas quanto aparecer num palco em face de centenas de pessoas. É uma grande suruba emocional. Como naquele momento em que o contrarregra nos leva às coxias, à lateral da cena, ou fundo, onde entraremos, e esperamos ali segundos. O corpo literalmente ferve de excitação intoxicante. Pomos o pé no palco e sentimos, sem ver, os olhos e os sentimentos da multidão. Cada gesto ou palavras nossa se misturam quimicamente a essa atenção. Aprendemos a manipula-la e é delicioso sentir o poder que exercemos (ainda que nos estejam amaldiçoando em silêncio, na plateia)… Quem experimentou essas sensações compreende com maior facilidade e tolerância os sacrifícios e o ego gigante das estrelas, assim como os excessos a que às vezes se entregam fora de cena, porque tudo parece tão menor e tedioso depois daquelas horas em que nos tornamos o centro do ‘mundo’, e, curiosamente, na pele de outra pessoa, sem carregarmos os ônus inevitáveis da nossa existência real.”

 

Paulo Francis, sobre o ofício do ator, no livro O Afeto que se Encerra. Francis atuou na companhia Teatro do Estudante, de Paschoal Carlos Magno.


 

 

6 peças teatrais

Foram as que Paulo Francis atuou com ator, como Romeu e Julieta (Shakespeare), Hécuba (Eurípedes) e Espectros (Ibsen). Foi Paschoal Carlos Magno que inventou o nome artístico Paulo Francis no lugar de seu impronunciável nome de identidade Franz Paul Trannin da Matta Heilborn.