Bomba de nêutrons

Bomba de nêutrons

João Wady Cury

26 Outubro 2017 | 14h27

Caiu feito bomba no meio teatral a permissão dada pelos conselheiros do Condephaat, órgão estadual que pretensamente deveria preservar o patrimônio histórico, artístico e arquitetônico, para a Sisan Empreendimentos, do Grupo Silvio Santos, de construção de três torres residenciais ao lado do Teatro Oficina. E logo no Bixiga, bairro que responde por 30% dos bens tombados da Capital e repleto de teatros. A decisão dos nobres conselheiros, além de contradizer o próprio tombamento de 1983, que protegia o entorno do imóvel e agora foi derrubado, vem a reboque de uma ausência de farta discussão sobre o tema. Opinião é como umbigo, cada um tem a sua. Mas é patético assistir a um encontro de especialistas que não discutem à exaustão o destino de um teatro reconhecido como um dos mais importantes do mundo – sim, o grupo do Oficina e o próprio José Celso Martinez Corrêa têm fama mundial pelo trabalho que fazem. E tem mais…

 

 

NADA A DIZER

Visite a página do Condephaat e procure os nomes de presidente, diretores e conselheiros. Páginas em branco.

 

 

BAÚ VAZIO

Quando lembra a última conversa com Silvio Santos, em agosto, Martinez Corrêa diz que argumentou sobre a idade avançada dos dois, ambos octogenários, e o que deixariam de legado para a cidade. “Silvio, logo a gente vai morrer”, disse o diretor. “Eu não vou morrer nunca”, replicou o dono do Baú. Então está combinado.

 

NADA FOI VISTO

A remontagem de O Rei da Vela pelo Oficina, que marca os 50 anos da primeira encenação e os 80 de Martinez Corrêa e Renato Borghi, no Sesc Pinheiros, está para lá de pudica. Incrível e inédito, todo o elenco está vestido.