Violin Festspiele Brazil e Brasília Cello Academia: duas iniciativas louváveis

Violin Festspiele Brazil e Brasília Cello Academia: duas iniciativas louváveis

Alvaro Siviero

03 Abril 2018 | 12h50

É aquela velha história: quem quer, faz. Em outra linguagem: querer é poder. A opção dos braços cruzados ou da espera de que algum telefone toque, de que um convite apareça, de que um reconhecimento surja ou até mesmo de que uma iniciativa tenha frutos não é o perfil do empreendedor. Quem busca quebra de paradigmas e transformação, mesmo ao meio de desafios e tsunamis sem fim, expondo-se ao inevitável risco de ferimentos, recebe a condecoração. É assim em tudo na vida: os soldados que vencem a batalha não são os que se escondem nas últimas fileiras.

Recentemente tomei conhecimento de duas grandes iniciativas, de busca de excelência musical, nas cidades de Brasília e Curitiba. A Brasília Cello Academia (www.bsbcelloacademia.org), encabeçado pelo violoncelista Francisco Orrú, e o Violin Festspiele Brazil (www.violinfestpielebr.com), liderado pelo violinista curitibano Winston Ramalho. Músicos experientes, Orrú e Ramalho conquistaram o respeito da classe artística pelo empreendedorismo que demonstram.

Brasília Cello Academia
A Brasília Cello Academia, fundada em 2017, além das apresentações e concertos, fomenta a pesquisa sobre o instrumento, suas características e peculiaridades. Para tanto, a BCA criou seu ensemble (uma pequena orquestra de cordas) formado somente por violoncelistas, fruto de uma ideia surgida ao final do século XIX, dada a versatilidade e aprimoramento sonoro deste instrumento. A revista inglesa Strad (publicação mais antiga e prestigiosa sobre instrumentos de cordas) afirmou, em sua edição de agosto de 2017, que as orquestras de violoncelos no Brasil poderiam estar associadas à ação musical de Villa-Lobos, violoncelista de nascimento. De fato, diversas iniciativas como o Rio Cello Ensemble, a Orquestra de Violoncelos da Amazônia e a UNICAMP Cello Ensemble executam um repertório especial e que tem se ampliado consideravelmente. A Brasília Cello Academia é hoje apadrinhada pelos 12 violoncelos da Filarmônica de Berlim, que até já enviaram ao grupo mensagens de apoio e desejo de trabalhar em conjunto, não somente com a BCA, mas com os músicos membros da OSTNCS-Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, como gratidão ao sólido apoio que o maestro Claudio Cohen tem deferido à iniciativa que busca conseguir apoios para Bolsas de Estudos, Estágios, Cursos de Idiomas, intercâmbios em Escolas e Universidades de Música, Mestrados e Doutorados que possibilitem o aperfeiçoamento de seus membros e conseqüente desenvolvimento cultural da cidade. Francisco Orrú, primeiro violoncelo da OSTNCS e um membro-fundador da BCA, juntamente com Ocele Mendonça, realiza o trabalho por pura filantropia e desejo de transformação. O mais curioso é saber que, enquanto esses encontros transformadores da Brasilia Cello Academia ocorrem no foyer o Teatro Nacional, o mesmo teatro tem suas salas de concerto fechadas há anos por pura inércia – descaso? – daqueles que deveriam ir à frente dando exemplo.

O britânico Steven Isserlis, um dos maiores expoentes atuais do violoncelo mundial, bem como Ludwig Quandt, primeiro violoncelo da Filarmônica de Berlim, já manifestaram seu apoio ao grupo.

 

Violin Festpiele Brazil II

Após o sucesso da primeira edição do Violin Festpiele Brazil I, sediado em Curitiba em 2017, a iniciativa do reconhecido violinista Winston Ramalho chega à sua segunda edição. A vivência do idealizador em instituições como a Julliard School de Nova York e a Universidade de Viena, deram-lhe elementos suficientes para entender a necessidade da busca pelo aprimoramento artístico em nível de excelência. Pupilo admirado por Tibor Varga, Ramalho decidiu ampliar a edição de 2018, que ocorrerá entre os dias 30 de junho e 08 de julho, a outros instrumentos  – viola, violoncelo, piano, música de câmara, masterclasses – além de aspectos humanos fundamentais para a vida daqueles que buscam a carreira artística: a competição não sadia, a insegurança no palco e suas possíveis origens, o desejo de brilhar e suas consequências, a estética da criatividade, as fontes da inspiração, entre tantos outros temas basilares. E é nesta edição que, de modo inédito, ocorrerá o I Concurso de Violino Thomastik-Infeld Brazil (para os que não sabem, a vienense Thomastik-Infeld é uma das maiores fabricantes de cordas para instrumentos de arco do mundo e apoiadora oficial do evento).

O vencedor se presentará no concerto de encerramento das atividades em conjunto com a Orquestra do Violin Festspiele Brazil, além de sólidas premiações que se estendem ao segundo e terceiro classificados: 1 violino de Camillo Callegari (ano 2014, modelo Guarneri 1742, cedido pelo Luthier Ivan Guimarães, Atelier Musikantiga), 1 arco de violino montado em prata no valor de R$ 10.000,00 bem como um arco de violino montado em ouro (doados pelo Archetier Henry Guerra), jogos de cordas da marca Thomastik-Infeld Vienna, além de muitos outros prêmios (confira no site). Sem dúvida, um momento de resgate das profundas raízes violinísticas da capital paranaense.