No Municipal de São Paulo, a integral das Bachianas Brasileiras

No Municipal de São Paulo, a integral das Bachianas Brasileiras

Alvaro Siviero

03 Março 2017 | 15h37

Theatro Municipal de São Paulo

Theatro Municipal de São Paulo

O temperamento inquieto do carioca Heitor Villa-Lobos (1887-1959), em grande parte, foi o responsável por torná-lo um dos representantes máximos da música genuinamente brasileira. Era um homem que não parava. Do violoncelo, seu instrumento mãe, adentrou-se no violão, entre tantos outros instrumentos, quando, ainda cedo, foi atraído pelos “chorões”, expressão da música genuinamente popular, muito executado nos bailes, cafés e teatros da cidade do Rio de Janeiro. Houve também aqueles seus longos períodos de permanência em Paris, que o colocaram em contato com grandes nomes da vanguarda musical mundial, que transformaram-se em enorme estímulo a sair de uma zona de conforto e o amadureceram em sua decisão de criar novos rumos para a música nacionalista. Esse mesmo temperamento fê-lo saracotear por diversas regiões brasileiras – Nordeste, Sul, Centro-Oeste, Amazônia… – sempre em busca de uma inspiração nacional que retratasse musicalmente os valores do índio, do caboclo, do gorjeio das aves brasileiras. Em 1922, depara-se com a Semana de Arte Moderna, sem sombra de dúvida, outro empurrão em sua desenfreada busca pela descoberta de uma linguagem musical peculiarmente brasileira.

Uma de suas grandes colunas vertebrais musicais – além dos Choros – são suas Bachianas, uma série de nove composições escritas para formações diversas no espaço de 15 anos (1930-1945). Nelas, a genialidade de Villa-Lobos funde o denso material folclórico brasileiro (em especial a música caipira) às formas pré-clássicas no estilo de Bach, como que intencionando construir a versão brasileira dos Concertos de Brandemburgo do mestre alemão, onde cada um dos movimentos das Bachianas recebe um duplo título: um “bachiano” e outro brasileiro. Sendo assim, o movimento “Tocata” (título bachiano) da Bachiana n.2 recebeu seu título brasileiro “O Trenzinho do Caipira”. Sua “Aria” da Bachiana n.5 tornou-se igualmente conhecida como “Cantilena”. E os exemplos se sucedem: o Coral (Canto do Sertão), o Prelúdio (Ponteio), a Dança (Lembrança do Sertão), entre outros.

Em 1945, enquanto paralelamente se devotava à propagação do ensino de música em todo o Brasil, Villa Lobos cria a Academia Brasileira de Música, seguindo os padrões da Academia Francesa. Em 1960, um ano após sua morte, o governo inaugura, na cidade do Rio de Janeiro, o Museu Villa Lobos. Seu corpo encontra-se sepultado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. É considerado o maior expoente da música do Modernismo no Brasil. A sua data de nascimento – 05 de março – é celebrada como Dia Nacional da Música Clássica.

Neste final de semana, nos dias 04 e 05 de março, o mesmo Theatro Municipal de São Paulo que foi palco da Semana de Arte Moderna de 1922, a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, sob a batuta de seu recém nomeado maestro titular, Roberto Minzcuk, realizará a façanha de executar a integral dessas 9 composições em um único concerto, com a participação do Coral Paulistano e dos solistas Laura Duarte (soprano) e Jean-Louis Steuerman (piano). Não é a primeira vez que este desafio ocorre. Em 2008,  a Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo, sob a batuta de Carlos Eduardo Moreno, subiu ao areópago. O próprio Minczuk, em 2015, à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira embrenhou-se neste tour musical e até mesmo registrou, à frente da OSESP, um disco pelo selo BIS com algumas dessas jóias. Sem dúvida, um espetáculo à parte. Um golaço da direção artística de Cleber Papa.

Serviço 

Sábado 04 de março, 16h30 | Domingo 05 de março, 16h30
Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Roberto Minczuk regência
Laura Duarte soprano

Programa:
Bachianas Brasileiras n° 1
Bachianas Brasileiras n° 6
Bachianas Brasileiras n° 5
Bachianas Brasileiras n° 8
Bachianas Brasileiras n° 4

Sábado 04 de março, 20h | Domingo 05 de março, 20h
Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Coral Paulistano Mário de Andrade
Roberto Minczuk regência
Jean–Louis Steuerman piano

Programa:
Bachianas Brasileiras n° 9
Bachianas Brasileiras n° 3
Bachianas Brasileiras n° 2
Bachianas Brasileiras n° 7

Theatro Municipal de São Paulo
Praça Ramos de Azevedo, s/nº.
Telefone: 11-3053-2100/ Bilheteria: 11-3053-2090
Capacidade: 1.500 lugares
Sugestão etária: acima de 10 anos.
Ingressos:
– Sábado: R$ 35 a R$ 100 – meia-entrada para estudantes.
– Domingo: R$ 10 – meia-entrada para estudantes
Duração: 100 minutos aproximadamente (16h30) e 80 minutos aproximadamente (20h)