Curitiba lança o I Violin Festpiele Brazil

Curitiba lança o I Violin Festpiele Brazil

Alvaro Siviero

31 Maio 2017 | 15h19

O violinista curitibano Winston Ramalho nasceu com seu instrumento debaixo do braço. O fato, conhecendo a forte tradição violinística da capital do Paraná, não é tão surpreendente quanto os resultados alcançados em um curto espaço de tempo: ainda estudante do ensino médio, foi primeiro lugar em diversos concursos e internacionais, entre eles o Shell Competition for Young Musicians, em Londres. Após aperfeiçoar seus estudos com Dorothy Delay, na Juilliard School de New York,  e como aluno e assistente de Tibor Varga na Universität für Musik und Darstellende Kunst, em Graz, Áustria, apresentou-se no Barbican Hall em Londres, Musikverein de Viena e no Stefaniensaal em Graz. Mas, em determinado momento, percebeu que sua prestigiosa carreira musical deveria caminhar de mãos dadas com o desenvolvimento de futuras gerações de violinistas, ministrando masterclass na USP (São Paulo), no Festival de Música de Londrina (Paraná), Oficina de Música de Curitiba (Paraná) bem como participando de diversos festivais de música como professor convidado. Em 2015 lecionou e se apresentou ao lado de músicos da Filarmônica de Berlim e Filarmônica de Viena no Primeiro Festival Internacional de Música de Salta (Argentina). Atualmente é diretor musical e spalla da Orquestra de Câmara de Curitiba e Camerata Antiqua de Curitiba.

E foi dentro deste músico inquieto que surgiu sua mais recente iniciativa: o I Violin Festpiele Brazil (Festival), a se realizar entre os dias 11 e 17 de junho, em Curitiba, com a finalidade de aprimorar técnica e artisticamente violinistas da nova geração, resgatando a tradição e o papel da capital paranaense como referência de música de cordas no país.


Em um bate papo distendido com o violinista, muitas vezes veio à tona seu desejo de passar um legado através da criação deste novo polo de formação do instrumento no país. “Nada melhor do que começar por minha terra natal, Curitiba, não é?”, afirmou Ramalho com seu característico bom humor.

Curitiba sempre foi entendida como berço de bons violinistas e já são muitas as gerações surgidas. Como você entende a situação musical atual da cidade?
Do mesmo modo que entendo a cultura e educação em todo o restante do Brasil: faz-se necessário dar oportunidade às pessoas. Diz-se comumente que cachorros gostam de roer osso, mas você já experimentou dar a ele um bom pedaço de mignon? (risos). O povo brasileiro é extremamente musical. Não podemos desperdiçar essa característica tão nossa com manifestações musicais menores ou degeneradas que, em um primeiro momento, podem até ser facilmente comercializadas, mas que não se eternizam. Acredito que posso ajudar esses violinistas a terem a orientação técnica e musical que eu tive.

Quais as características de um bom violinista? Quais os principais perigos no processo da aprendizagem?
Um bom violinista é aquele que tem foco, disciplina e talento.  Os grandes nomes do violino, do início até o final da carreira, estudam horas e horas por dia, abdicando de muitas outras opções, em prol da música. De que adianta ter talento se não há foco e disciplina diariamente? Outro ponto muito importante é a fibra emocional: a busca da perfeição, por ser eterna, pode acabar gerando um pressão que pode impulsionar quanto desmotivar o violinista. A escolha de um bom professor é crucial. E, talvez, o descuido nessa escolha acertada possa se transformar no maior perigo. É comum observarmos – e não digo aqui que isso seja correto, muito pelo contrário – uma certa arrogância, ganância e prepotência que rapidamente se instalam em alunos mal encaminhados. Um bom professor deve estar igualmente atento a estas deficiências do caráter. Sempre haverá violinistas melhores e piores, mas o importante é focar em fazer o seu melhor.

Qual a periodicidade do Festpiele? Como ele se dará?
Temos a intenção de realizá-lo duas vezes ao ano, dando continuidade com acompanhamento aos interessados, com aulas particulares, em Curitiba e via skype para os alunos de outras localidades. O festival terá um programa intenso de 7 dias de vivência artística onde os alunos aperfeiçoarão sua técnica violinística, peças do repertório para violino com co-repetição de piano, seguido de prática de música de câmara aos selecionados nos ensembles. Ao final realizaremos um grande recital final com os alunos.

Recentemente, o cancelamento da Oficina de Música de Curitiba surpreendeu a classe artística. O Violin Fespiele visa a substituir, de alguma forma, a Oficina?
Não. Não mesmo! Ainda bem que você me fez esta pergunta (risos). A iniciativa é independente e difere de outras iniciativas que já existem no país, dado que seus objetivos são distintos, embora complementares. O I Violin Festspiele Brazil tem a finalidade de reunir violinistas que buscam formação continuada. Como comentei, não se trata de ficarmos uma semana juntos para voltarmos a nos encontrar na próxima edição. Busco um processo continuado, gradual, constante. Além disso, será uma oportunidade para os violinistas em formação se apresentarem na Capela Santa Maria como solistas e cameristas, onde também trabalharemos, de forma mais intensa, tudo o que envolve uma performance no palco.

 

Serviço
O que: I Violin Festpiele Brazil
Quando: 11 a 17 de junho de 2017
Onde: Curitiba
Maiores informações: www.violinfestbrazil.wixsite.com/violinfestspielebr