András Schiff no Brasil

András Schiff no Brasil

Alvaro Siviero

21 Agosto 2017 | 15h26

O compositor alemão Bach, cujo nome na língua alemã designa um pequeno riacho ou córrego, deveria ter tido outro nome: Meer, ou até mesmo Ozean. Isso mesmo. Bach é um mar sem margens. Um oceano. Na História da Música do Ocidente, é a ele a quem todos nós, músicos, devemos gratidão. E aos que não são músicos, vale o mesmo.  A profundidade, imensidão e o incontestável valor de suas composições o definem como um divisor de águas que, com o declarado e enorme viés religioso que caracterizam suas obras (muitos de seus manuscritos eram autografados com as iniciais S.D.G. – Soli Dei Gloria – toda glória somente para Deus), permite-nos, quase em licença poética, afirmar que houve, sim, um antes e um depois de Bach. E, quase como um mensageiro, relembrando a todos a força da transcendência deste gênio alemão, desembarca em São Paulo o pianista húngaro András Schiff  para dois recitais – dias 22 e 24 de agosto, na Sala São Paulo, sempre às 21h – promovidos pela Sociedade de Cultura Artística.

No primeiro deles, Schiff interpretará o primeiro volume de uma coleção de música para cravo conhecida como O Cravo Bem Temperado (no original alemão: Das wohltemperierte Klavier), composta por Johann Sebastian Bach. Como o próprio autor afirmou, a coleção de prelúdios e fugas que tem por base os 24 tons (12 maiores mais 12 menores) foi elaborada “para o proveito e uso dos jovens músicos desejosos de aprender e, especialmente, para o entretenimento daqueles já experientes com esse estudo”. Mais tarde, Bach compilou um segundo livro, seguindo o mesmo esquema de composição tonal do primeiro. Não é sem motivo que Bach é conhecido com o título Pai da Harmonia. A gravação de András Schiff desta coletânea, lançada em 2012, foi recebida pela crítica como límpida e cristalina, como deve ser a música de Bach. Já no segundo recital, Bach entregará suas Invenções a 3 vozes para que entrem de mãos dadas com o húngaro Bartók e o tcheco Janácek. Encerrando o programa a colossal Sonata n.1 de Robert Schumann.

 


O húngaro András Schiff é detentor de várias honrarias como o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Leeds, a Medalha de Ouro da Royal Philharmonic Society, o título de Membro Honorário da Konzerthaus de Viena, e, em 2014, a nomeação da Rainha Elizabeth II para Cavaleiro da Coroa Britânica pelos serviços prestados à música.

Série Branca – 22 de agosto, terça-feira 21h

BACH
O Cravo bem Temperado – Volume I

Série Azul – 24 de agosto, quinta-feira 21h

BACH Sinfonias n. 1 a n. 5 – Invenções a 3 vozes
BARTÓK Suíte op. 14 Sz 62
BACH Sinfonias n. 6 a n. 10 – Invenções a 3 vozes
BARTÓK Szabadban Sz 81 n.1 a n.3 (Ao ar livre)
BACH Sinfonias n. 11 a n. 15 – Invenções a 3 vozes
BARTÓK Szabadban Sz 81 n.4 e n.5 (Ao ar livre)
JANÁCEK Sonata 1.X.1905
SCHUMANN Sonata n. 1 em fá sustenido menor Op. 11