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Cultura » Pesquisa: produção do mercado editorial em 2010

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16 Agosto 2011 | 16h20

Está rolando no Rio, agora à tarde, a coletiva de imprensa do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL) sobre a pesquisa do comportamento do mercado editorial em 2010, com dados de produção e vendas.

Pedi para me enviarem os dados por email, já que não tinha como ir à coletiva. Conforme for analisando e esclarecendo dúvidas, posto aqui. A primeira coisa que estranhei foi que os totais de exemplares comercializados e títulos publicados referentes a 2009, por exemplo, não batem com os da pesquisa divulgada no ano passado, mas a CBL informou que as alterações em todos os números decorreram dos resultados do Censo do Livro 2009, também divulgados hoje. Hm.

Ainda vou falar com a pesquisadora responsável pelo censo para entender esses números direito.

Enquanto isso, o que já foi divulgado: há hoje no Brasil cerca de 750 editoras ativas. Destas, 498 enquadram-se no critério Unesco de editora: edição de pelo menos 5 títulos/ano e produção de pelo menos 5.000 exemplares/ano. A maioria das editoras do país (231) é formada por empresas com faturamento de até R$ 1 milhão.

Segundo a pesquisa anual realizada pela Fipe, o setor teve crescimento real de 2,63% (já descontada a inflação pelo IPCA) em 2010.  O que me chamou a atenção foi que, desconsideradas as compras feitas pelo governo (e também a inflação), houve decréscimo de 2,25% no setor.

Mas o número de exemplares vendidos cresceu 8,3%, se considerado só o mercado, e 13,12%, somando a essa conta as compras de governo e entidades sociais.

O preço médio do livro “manteve tendência de queda que apresenta desde 2004”, segundo o relatório. A queda em 2010 foi de 4,42%.

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Update às 19h:  já faz alguns anos que o meio de venda de livros que mais cresce no país é o porta a porta. De 2009 para 2010, essa venda passou a corresponder de 16,65% para 21,66% do total do mercado em números de exemplares. As livrarias continuam na frente em faturamento, com 62,70% do mercado.

Outros highlights da pesquisa: os segmentos que mais crescem, em número de exemplares produzidos, são, na ordem, religiosos (39,23%), obras gerais (21,99%), CTP (técnicos, jurídicos etc; 21,84%) e didáticos (18,14%). As vendas para o PNLD (Plano Nacional do Livro Didático) cresceram 27%, mas as do PNBE (Plano Nacional das Bibliotecas Escolares) caíram 10,22%. Na média, considerando outros tipos de compra, as compras pelo governo cresceram 13,59%.

O tal Censo do Livro foi realizado entre novembro de 2010 e abril de 2011 e afere o ano de 2009. A ideia é que esse censo seja feito de tempos em tempos – não me responderam ainda quando foi a última, mas o fato é que a diferença nos resultados de 2009 pré e pós-censo faz pensar na maleabilidade desses números.

Por exemplo, no ano passado, foi divulgado que 52,5 mil títulos foram editados ou reeditados em 2009. Com a nova variável, aplicada após o censo, o número total de 2009 cai para 43,8 mil, e o de 2010 fica em 54,7 mil. O crescimento no número de títulos considerando esses dois últimos números seria de 24,97%, mas o fato é que, se antes do censo usava-se a variável errada nas contas, em algum momento lá atrás divulgou-se uma porcentagem de crescimento maior que a real.

Não é segredo para ninguém do mercado que a pesquisa de Produção e Vendas do Setor Editorial elaborada pela Fipe, embora seja a mais exata do setor, está longe de ser exata.

Uma curiosidade: a pesquisa referente a 2010 foi a primeira a incluir dados sobre e-books, mas eles não foram divulgados no material impresso. Imagino que ficam como base de comparação para a pesquisa referente a 2011, a sair ano que vem. Até porque esses números devem ser ainda irrisórios – mas por isso mesmo seria interessante conhecê-los…

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