A coluna Babel de 27/8

Estadão

30 Agosto 2011 | 11h26

Peço desculpa pela semana inteira ausente. Foram dias, eu diria, não muito fáceis; mais pra frente conto aqui. Fica aí, por enquanto, a coluna Babel do último sábado, que cobre em parte a Jornada de Passo Fundo, sobre a qual escrevi também alguns textos para o Caderno 2 na semana passada. E depois comento algo mais sobre a Jornada. Ou não, vai, que minhas promessas vocês bem sabem…

Para abrir, segue o ótimo vídeo de Calamity Song, o terceiro single do The King Is Dead, do Decemberists, sobre o qual trato na coluna. Foi idealizado depois que Colin Meloy, vocalista da banda, devorou Infinite Jest, do David Foster Wallace.

BABEL


Raquel Cozer

INTERCÂMBIO
Guadalajara selecionará brasileiros para feira de 2012

A Feira do Livro de Guadalajara, a segunda maior do gênero no mundo (perde só para a de Frankfurt), pretende levar ao México em 2012 um grupo de 20 a 25 autores brasileiros para que sejam apresentados a editores, tradutores e agentes de vários países – a feira costuma atrair 19 mil profissionais. Será resultado de uma “operação de grande envergadura para romper o isolamento do Brasil em relação aos países de língua espanhola da América Latina”, disse à coluna Laura Niembro, diretora de conteúdo do evento mexicano. Em sua segunda visita ao País este ano, depois da Flip, esteve ontem em debate sobre formação de leitores na 14.ª Jornada de Passo Fundo. As investigações com brasileiros seguirão o modelo de uma seleção hoje feita entre autores de língua espanhola – em 19/9, a feira divulgará os “25 segredos mais bem guardados da América Latina”, escritores promissores que serão levados ao evento este ano. A edição que começa no próximo 26/11 homenageia a Alemanha e terá, na abertura, uma conversa entre os Prêmio Nobel Herta Muller e Mario Vargas Llosa.

FEIRA
O destino da Jornada

“Cansei”, diz a professora Tânia Rosing, que há 30 anos coordena a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, cuja 14.ª edição foi encerrada ontem. “Não tenho mais condições físicas e psicológicas de bater de porta em porta pedindo dinheiro, na incerteza. Daqui a dois anos é quase Copa e as verbas vão todas para lá.” O que ela pede é que a Jornada, que recebe verbas do Fundo Nacional de Cultura e incentivos fiscais, passe a figurar no orçamento público.

*

Anteontem, o escritor Alcione Araújo, debatedor do evento, reuniu reitoria, prefeitura e Secretarias de Cultura para saber que garantia serão dadas para a continuidade do evento bienal para o caso – remoto, segundo quem conhece a organizadora – de Tânia deixar os trabalhos. Estado e município se comprometeram aumentar o apoio financeiro, e a Universidade de Passo Fundo, a criar equipe de apoio. “A instituição nem tem captador de recursos”, lamenta Tânia.

*

José Carlos Carles de Souza, reitor da UPF, diz ter sido pego de surpresa pela reunião. “Nunca ouvi falar que ela se afastaria. E é claro que a universidade continuará com a Jornada se um dia ela resolver sair, é o nosso maior evento.” Sobre a falta de apoio da instituição, ele argumenta que Tânia é “centralizadora”. “Ela teve ao longo dos anos várias pessoas trabalhando com ela, mas as pessoas não duram, porque ela tem um jeito todo próprio de ser.”

HISTÓRIA
A resposta da realeza

O Anti-Maquiavel, de Federico 2.º (1712-1786), ganha no próximo ano a primeira tradução no Brasil, por Ivone Benedetti, para a WMF Martins Fontes. No livro, o rei da Prússia parte de sua condição de nobre para questionar os pensamentos de O Príncipe, de Maquiavel. Quem cuidou da revisão no século 18 foi Voltaire (1694-1778) – como não era francês nato, o rei teve o texto corrigido, prefaciado e comentado pelo pensador.

MÚSICA
Referências literárias

Há poucos dias na rede, o clipe de Calamity Song, do grupo de folk rock The Decemberists, celebra uma das ideias mais emblemáticas de Infinite Jest, romance de 1996 que tornou David Foster Wallace (1962-2008) conhecido. No vídeo, adolescentes jogam o imaginário eschaton, combinação de partida de tênis e simulação de uma guerra nuclear imaginada pelo autor. O vídeo pode ser visto em bit.ly/casong.

*

Com os direitos comprados este ano pela Companhia das Letras, o livro, com tradução a cargo de Caetano Waldrigues Galindo, não sai antes de 2013. A obra de mais de mil páginas passou quatro anos sendo traduzida na Alemanha, por exemplo.

*

Chega esta terça às livrarias americanas, aliás, o primeiro livro infantil de Colin Meloy, vocalista do The Decemberists. Ilustrado por Carson Ellis, mulher do músico, The Wildwood Chronicles sai no Brasil ano que vem pela Record.

INFANTIL-2
A primeira tradução

A atriz Denise Fraga terá sua estreia como tradutora publicada em outubro pela Cosac Naify. Ficou responsável pela versão de Morango Sardento e o Valentão do Recreio, livro infantil da americana Julianne Moore sobre bullying.