A coluna Babel de 20/8

Estadão

24 Agosto 2011 | 14h49

[Publicada no Sabático]

BABEL

Raquel Cozer – raquel.cozer@grupoestado.com.br

HISTÓRIA
Obra fora de catálogo há 200 anos abrirá editora da BN em novembro

Um título há dois séculos fora de catálogo será o primeiro que a Editora Biblioteca Nacional, cujo projeto está sendo finalizado pela FBN, disponibilizará para livrarias de todo o País a partir de novembro. A obra é O Fazendeiro do Brasil, lançada originalmente em Lisboa, em 11 volumes, de 1798 a 1806, sob coordenação do frei José Mariano da Conceição Veloso (1742-1811). A nova edição, fac-similar, será dividida em cinco tomos, sendo um de imagens. O livro, sobre agricultura e técnicas agroindustriais, era voltado ao desenvolvimento da então colônia e já manifestava preocupação com a exploração sustentável da natureza, como explicita na introdução frei Veloso – cujos 200 anos da morte se completam neste ano. A Fundação Biblioteca Nacional editava poucos livros, vendidos em sua loja e no site, mas agora as publicações serão regulares, sob coordenação de Aníbal Bragança.

ROMANCE
Do início ao fim

Uma única frase, de 127 páginas, compõe o romance Bildnis der Mutter als Junge Frau (Retrato de Uma Mãe Quando Jovem), de Friedrich Christian Delius, que o selo Tordesilhas publica no primeiro semestre de 2012. Alemão nascido em Roma em 1943, o eterno candidato ao Nobel aborda, não por acaso, um dia daquele mesmo ano na vida de uma jovem alemã grávida, na capital italiana, na iminência da invasão dos Aliados.

TRADUÇÃO
Poesia para exportação

Sai ainda este ano na Europa uma antologia de poemas de Augusto de Campos, Poètemoins, organizada por Jacques Donguy. A dupla trabalha na tradução para o francês com a meta de concluí-la até a Bienal de Lyon, que começa em 15/9 com mostra de obras do brasileiro. Se não der, fica para novembro, com lançamento na Europália, festival belga que este ano celebra o Brasil. Campos pretende ir aos eventos.

QUADRINHOS-1
Amor, estranho amor

A história é real: após um namoro frustrado, o canadense Chester Brown decidiu abdicar das paixões e passar a sempre pagar por sexo. Criou a partir da experiência uma HQ que defende a discriminalização da prostituição, Paying for It: A Comic Strip Memoir About Being a John (“john” é gíria para clientes de garotas de programa). Com prefácio de Robert Crumb, a graphic novel liderou a lista do New York Times e sai em 2012 pela WMF Martins Fontes. Vale ressaltar que a obra não tem nada de pornográfica.

QUADRINHOS-1
Minduim para presente

Responsável pela publicação das tiras de Charles Schulz, a L&PM prepara para os próximos meses duas edições especiais, para presente. Em setembro, sai o livro de frases A Vida Segundo Peanuts (imagens). Em novembro, será a vez do primeiro volume temático da editora com personagens da série, sobre o Natal.

INFANTIL
Multiplicação

O interesse crescente no País pela produção de livros infantis levou a Planeta a dividir seus títulos do gênero em três selos. Ao Planeta Infantil, juntam-se o Júnior, para crianças de até 6 anos, e o Jovem, para pré-adolescentes e adolescentes.

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A editora agora contrata autores nacionais e estrangeiros, mas a grande aposta está definida: a série Geronimo Stilton, sucesso na Itália – vencedora do Prêmio Andersen de personagem do ano em 2001 e do eBook Awards 2002 de livro eletrônico infantojuvenil. Stilton, um ratinho jornalista, é o protagonista e o pseudônimo que a autora, Elisabetta Dami, usa para assinar as histórias.

DIGITAL
Para ler e passar adiante

Trezentos livros serão espalhados por Passo Fundo (RS) para que moradores e visitantes da 14.ª Jornada Nacional de Literatura, que começa depois de amanhã, encontrem, leiam e abandonem em outros lugares, onde mais pessoas possam localizá-los. É uma parceria com o projeto bookcrossing.com. Os mais de 20 títulos da ação, patrocinados pela Petrobrás, incluem textos de autores como o poeta Carlito Azevedo e os romancistas Cadão Volpato e Bruno Zeni.

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O evento terá também um estande digital, com oito tablets Samsung oferecidos pela empresa Maser. Além de testar os aparelhos, visitantes da Jornada poderão comprar o seu em linha de financiamento de 24 meses aberta pelo Banrisul para o evento. “É um modo de valorizar a literatura como literatura, independente de suporte”, diz a coordenadora da Jornada, Tania Rösing.