A coluna Babel de 13/8

Estadão

13 Agosto 2011 | 11h01

[Publicada no Sabático]

BABEL

Raquel Cozer – raquel.cozer@grupoestado.com.br

LIVRARIAS
Cultura chega a Manaus, onde processa Saraiva


Depois das duas lojas no Rio e da filial em Curitiba, previstas para os próximos meses, a Livraria Cultura chega a Manaus em 2012. O aluguel do ponto foi feito este ano, mas a empresa aciona na Justiça a Saraiva desde 2009, sob a alegação de que esta teria copiado seu projeto arquitetônico na loja manauara. A Cultura quer que a concorrente mude o projeto, e Fernando Brandão, arquiteto da rede, pede indenização de R$ 1,2 milhão. “A coisa está lenta. Só esses dias os peritos foram à loja”, diz Sergio Herz, sócio-diretor da Cultura. Marcílio Pousada, presidente da Saraiva, diz que a acusação não faz sentido. “Temos lojas mais antigas que as deles com características similares.” A Cultura fecha 2011 com 13 lojas e espera totalizar 17 ano que vem. Já outra livraria paulistana, a da Vila, cresce apenas dentro de São Paulo. A rede abre na quinta-feira loja no Pátio Higienópolis e, em 2012, outra no novo shopping Iguatemi JK, totalizando sete pontos.

Abaixo, a Livraria Cultura da Paulista e a Livraria Cultura de Manaus.

DIGITAL
Tempos modernos

Pela primeira vez, o National Book Awards recebeu a inscrição de um aplicativo de livro para iPad, disse ao site inReads Harold Augenbraum, diretor da fundação que concede o prêmio. “Estamos abertos a mudanças. Uma regra é que você tem de enviar o livro impresso, mas esse era um livro com texto, imagem e vídeo. Livros de grande qualidade no futuro serão publicados só como e-book, e precisamos saber lidar.”

MEMÓRIA
O último enigma de Borges

Recém-lançado na Argentina, Siete Guerreros Nortumbrios (Emecé), de Martín Hadis, volta à Idade Média para desvendar os símbolos na lápide de Jorge Luis Borges, morto há 25 anos. A pedra do túmulo do argentino, em Genebra, foi esculpida a partir de desenho da viúva, María Kodama, inspirada em elementos significativos para o escritor.

POLÍTICA
Dilma lá fora

Rousseff, livro de Jamil Chade, correspondente do Estado em Genebra, e Momchil Indjov sobre a família de Dilma, chamou a atenção na Coreia do Sul. O título da Livros de Safra foi comprado pela Sunhaksa.

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Sobre Dilma, aliás, também os americanos conhecerão um pouco mais em breve, quando sair o perfil que Nicholas Lemann, autor de Redemption: The Last Battle of the Civil War, fez dela para a revista New Yorker. Para ajudar no relato sobre a presidente, discreta na conversa, o jornalista recorreu a Lula e FHC – que o impressionaram bem.

UNIVERSIDADE
Silviano internacional

O colunista do Sabático Silviano Santiago embarca no mês que vem para uma temporada de seis meses nos EUA, onde dará aulas como professor visitante na Universidade Princeton. Enquanto isso, seu livro As Raízes e o Labirinto da América Latina (Rocco), que cruza ideias de Sérgio Buarque de Holanda e Octavio Paz, segue para a Argentina. Será publicado lá pela Corregidor.

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Silviano é o convidado do novo Leituras Sabáticas, no endereço estadao.com/e/silviano.

QUADRINHOS
Zumbis nacionais

Zombies, antologia inglesa com nomes como Leah Moore (filha de Alan Moore) e Kieron Guillen (roteirista de Thor), teve os direitos garantidos pela Gal Editora. Após meses conversando com a Accent UK, a casa teve autorização para incluir na versão nacional histórias feitas por aqui, assinadas por Emilio Baraçal, Felipe Watanabe, Gustavo Daher, Fábio Perez (imagem acima) e Alvaro Omine. Haverá ainda ilustrações de outros brasileiros, como Danilo Beyruth.

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Será a estreia da editora, criada em 2007, na edição de quadrinistas nacionais.

 

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“O vento batia de rijo o castelo, guinchava, zu­nia, assoviava, musicando tons macabros, como se as ruínas fossem órgão enorme a ressoar em meio ao fragor da tempestade.

O relampejar repetido de mil coriscos tigrava a escuridão de rajas e zigue-zagues cor de fogo.

E a chuva caía em bátegas violentas.

O dr. Angus não podia conciliar o sono, pertur­bado por sensação vaga, misto de medo, tristeza e abatimento — o pressentimento de algo misterioso e inevitável.

Agora que voltara a Highmore Hall, chamado com urgência pelo velho cliente, rememorava o acontecido durante a sua primeira estadia ali, fatos que não o tinham preocupado no longo intervalo de tantos meses.

Incomodava-o principalmente a lembrança do singular fragmento de pano trazido pelo rato. Arrependia-se de ter esquecido e calado por tan­to tempo. E se de fato houvesse alguém preso, esperando socorro?! Cumpria-lhe averiguar mi­nuciosamente, e talvez denunciar o caso à po­lícia inglesa. Não hesitaria mais; falaria no dia seguinte com sir John, apesar de estar ainda mais exacerbada a sua moléstia. Com efeito, o velho tinha agora medo de tudo. Vivia em constante sobressalto, com olhar assustado, raramente fa­lando aos dois servidores, metido todo o tempo no seu gabinete.”

Trecho do conto de suspense O Mistério de Highmore Hill, que João Guimarães Rosa publicou, aos 21 anos, na revista O Cruzeiro, em 1929. Sai em setembro no volume Antes das Primeiras Estórias, com outros três contos inéditos em livro e prefácio do angolano Mia Couto – que destaca que, embora esses textos não permitam adivinhar o estilo maduro do escritor,” já há qualquer coisa nas primeiras criações que indiciam uma inquietação, e atuam como a forja do que seria não exatamente um ‘es­tilo’ mas um idioma particular”. Para o fim do ano, a Nova Fronteira planeja edição dupla de Grande Sertão: Veredas e cadernos de anotação do autor.